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Relações de trabalho

O regime 6x1 não cabe mais na realidade do trabalhador brasileiro

Defender a superação da jornada de seis dias seguidos é reconhecer que produtividade não pode significar exaustão permanente.

Pedro Henrique Santos

Pedro Henrique Santos

13/2/2026 16:00

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A discussão sobre a extinção da jornada de trabalho no regime 6x1, com seis dias consecutivos de trabalho para um único dia de descanso, está no centro do debate jurídico e social, diante de propostas que visam substituir esse modelo por jornadas mais equilibradas, acompanhadas de uma redução gradual da carga horária semanal.

A jornada 6x1, embora prevista na Consolidação das Leis do Trabalho, tem se mostrado, na prática, exaustiva para uma ampla parcela da classe trabalhadora. O modelo desconsidera as realidades urbanas atuais, em que muitos empregados enfrentam longos deslocamentos até seus locais de trabalho, estendendo significativamente o tempo total dedicado ao trabalho em cada dia. Uma jornada de oito horas pode facilmente se transformar em doze, quando somado o tempo gasto em transporte público, o que compromete o descanso, o convívio familiar e o lazer.

O debate em torno do fim do regime 6x1 parte da premissa de que o trabalho não deve ser pensado apenas sob a ótica da produtividade, mas também sob o ponto de vista da saúde física e mental do trabalhador. Reduzir a carga horária semanal e garantir dois dias consecutivos de descanso são medidas que podem contribuir para a preservação da saúde, a prevenção de doenças ocupacionais e a melhoria da qualidade de vida de forma geral.

Essa mudança legislativa, caso venha a ser implementada, pode representar uma evolução importante nas relações de trabalho no país. Além de responder a um problema concreto enfrentado por milhões de trabalhadores, ela tem o potencial de melhorar as condições de trabalho, aumentar a motivação, reduzir o absenteísmo e contribuir para um ambiente organizacional mais saudável e produtivo.

A discussão sobre o fim do 6x1 coloca no centro do debate a qualidade de vida e os limites físicos e mentais do trabalhador.

A discussão sobre o fim do 6x1 coloca no centro do debate a qualidade de vida e os limites físicos e mentais do trabalhador.Freepik

Em diversos países, como Islândia, Reino Unido, Bélgica, Espanha e Alemanha, observa-se uma tendência de reavaliação dos modelos tradicionais de jornada. Na Islândia, testes com semanas de trabalho reduzidas demonstraram aumento na produtividade e melhoria na saúde dos trabalhadores. No Reino Unido, experiências com a semana de quatro dias mantiveram os níveis de desempenho e foram bem recebidas por empresas e empregados. Na Bélgica, passou-se a permitir a compactação da jornada semanal em quatro dias, oferecendo mais flexibilidade ao trabalhador. A Espanha iniciou um programa piloto com jornadas de 32 horas semanais, e na Alemanha já se verifica uma cultura de redução da carga horária, especialmente em setores específicos.

A transição para novos formatos de jornada mais equilibrados demanda planejamento, diálogo social e negociação coletiva. É preciso assegurar que eventuais mudanças respeitem as realidades dos diferentes setores produtivos, sem prejuízo aos direitos já conquistados e com vistas à construção de um mercado de trabalho mais justo e sustentável.

Repensar o modelo 6x1 é, portanto, uma medida que vai além da questão legal. Trata-se de refletir sobre o papel do trabalho na vida das pessoas e sobre os limites entre desempenho e exaustão. O Direito do Trabalho, enquanto instrumento de equilíbrio entre capital e trabalho, deve estar atento a essas transformações e aberto à construção de soluções que respeitem a dignidade do trabalhador em todas as suas dimensões.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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