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Tecnologia
18/2/2026 | Atualizado às 15:06
O Brasil é, há mais de duas décadas, o maior exportador mundial de tabaco, uma potência econômica que sustenta milhões de empregos e gera receitas fiscais essenciais para o governo. Essa cadeia produtiva é um motor inegável para a economia do Sul do país, gerando anualmente US$1,99 bilhão em divisas e sustentando 2,06 milhões de empregos diretos e indiretos.
Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a atividade movimenta R$11,7 bilhões em receita agrícola. Para proteger e expandir esse legado econômico e social, a inovação tecnológica torna-se indispensável, e a Inteligência Artificial (IA) surge não como um luxo, mas como uma ferramenta de transformação econômica.
Imagine o Senhor João, pequeno agricultor do Rio Grande do Sul, olhando para o céu de incertezas. A seca inesperada ou a praga silenciosa, dois fantasmas que rondam sua lavoura de tabaco. A única defesa dele é o conhecimento passado de pai para filho, muitas vezes insuficiente contra as mudanças climáticas de 2025. Analisar essa cena é descrever a vulnerabilidade econômica de 133.265 famílias que dependem da fumicultura. Ela é, para o Senhor João, a bússola de precisão capaz de reduzir a incerteza.
A IA pode blindar a indústria e, principalmente, proteger o pequeno produtor rural contra as incertezas climáticas e de mercado. Ela oferece uma bússola de precisão capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica das 133.265 famílias que dependem da fumicultura.
A primeira e mais palpável vantagem ao agricultor é a renda mais estável e previsível. A descrição de como a IA atua na lavoura demonstra seu potencial transformador: sensores, drones com câmeras hiperespectrais e sistemas inteligentes monitoram o solo e o clima em tempo real.
Essas tecnologias identificam o nível exato de nutrientes ou a presença inicial de fungos antes mesmo que o olho treinado perceba. O resultado é concreto e impacta diretamente o bolso do produtor, que passa a aplicar insumos de forma cirúrgica, na dosagem correta e no local preciso.
Em estudos, como o da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a implementação da agricultura de precisão com IA em lavouras experimentais de tabaco provou redução de até 30% no uso de pesticidas e fertilizantes, diminuindo custos e aumentando a margem de lucro familiar. O tabaco produzido com essa tecnologia torna-se mais sustentável, aumentando a competitividade no exigente mercado internacional, onde a demanda por sustentabilidade cresce a cada ano, garantindo a posição de liderança do Brasil.
A tecnologia no campo é, inclusive, um fator chave para atrair e manter os jovens, que veem na conectividade e na qualificação digital a oportunidade de uma vida mais moderna e rentável no meio rural. Para viabilizar essa modernização, é fundamental estabelecer linhas de crédito específicas para o investimento em tecnologia e agricultura de precisão, com taxas de juros acessíveis e prazos compatíveis com o ciclo produtivo.
A nível global, a aplicação da IA no setor do tabaco ultrapassa as fronteiras da China e do Brasil, com inovações significativas que garantem eficiência e qualidade em toda a cadeia. Na Alemanha, a empresa Vernaio utiliza IA para controle de processo em tempo real na produção de tabaco aquecido, reduzindo drasticamente o desperdício. Na Índia, empresas como a Trident implementam sistemas de "Visão Inteligente" com câmeras e algoritmos para inspecionar automaticamente os produtos na linha de produção, garantindo controle de qualidade rigoroso e detecção de defeitos. Já pesquisas no Paquistão demonstraram o uso eficaz de IA e imagens de satélite para estimar com precisão as áreas plantadas de tabaco, otimizando a gestão da produção a nível regional.
Na China, em regiões produtoras, sistemas inteligentes com sensoriamento remoto mapeiam automaticamente os campos e integram dados para gestão dinâmica. A IA é usada para classificar a qualidade da folha, elevando o valor agregado da produção e fortalecendo a renda do produtor.
A tecnologia é a chave para modernizar a vida no campo e atrair a juventude, oferecendo qualificação profissional e a promessa de uma vida rentável e conectada. A IA pode ajudar o agricultor a tomar decisões precisas, transformando a prática agrícola tradicional em uma gestão de dados eficiente. Cursos em áreas como Operador de Drones para Agricultura, Técnico em Agricultura de Precisão e Analista de Dados Agrícolas, devem ser oferecidos por entidades do setor e prefeituras. É preciso preparar os jovens para essa realidade digital.
A IA ajuda o agricultor ao atuar como um "cérebro" digital que processa informações que o produtor, sozinho, não conseguiria. Ela analisa dados históricos de clima e solo com previsões meteorológicas para antecipar surtos de pragas, doenças ou a necessidade de irrigação, permitindo ações preventivas em vez de reativas. Algoritmos determinam a quantidade exata de fertilizante ou pesticida a ser aplicado, evitando desperdício de insumos caros e reduzindo o impacto ambiental, o que aumenta a margem de lucro do produtor.
Empresas líderes do setor estão na vanguarda dessa inovação, utilizando a IA em seu sistema integrado de produção. A BAT Brasil (British American Tobacco), por exemplo, desenvolveu e buscou patente para tecnologia com machine learning capaz de antecipar riscos climáticos e produtivos, oferecendo essa solução aos seus produtores integrados. A Philip Morris Brasil (PMB) também celebra o sucesso de seu sistema, que usa tecnologia para garantir suprimento, rastreabilidade e exportação de tabaco de milhares de pequenos produtores, atendendo a mais de 140 países.
Com a estabilização e o aumento da produção e exportação, a indústria se fortalece, resultando em maior arrecadação de impostos, como IPI e ICMS, e maior entrada de divisas para o país, um ganho líquido para o governo e a sociedade.
A IA é essencial para modernizar a fumicultura brasileira, garantindo o sustento de milhões e a competitividade do país. O futuro da cadeia produtiva do tabaco será decidido pela inteligência e ética que aplicarmos no campo e no código.
Devemos garantir que a inovação venha com responsabilidade cívica e foco no desenvolvimento econômico sustentável do agricultor e da indústria.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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