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Memória nacional
27/2/2026 14:00
No último dia 21 de fevereiro, o Brasil relembrou os 81 anos da tomada de Monte Castelo, uma das vitórias mais emblemáticas da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Em solo italiano, sob frio intenso e terreno hostil, jovens brasileiros provaram que coragem, disciplina e amor à pátria não são retórica. São ação.
A posição de Monte Castelo, nos Apeninos, era estratégica para o avanço aliado. Tropas alemãs fortemente entrincheiradas resistiam há meses. As primeiras tentativas fracassaram, custando vidas e testando o moral da tropa. Mas os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira não recuaram. Reorganizaram-se, aprenderam com os erros e voltaram ao combate com determinação. Em 21 de fevereiro de 1945, conquistaram a posição. Não foi apenas uma vitória tática. Foi a afirmação de que o Brasil estava presente e comprometido com a derrota do nazifascismo.
A participação brasileira na guerra, sob a liderança do general Mascarenhas de Morais, mobilizou cerca de 25 mil homens que atravessaram o Atlântico para lutar ao lado dos Aliados. Muitos nunca haviam saído de suas cidades. Enfrentaram inverno europeu, artilharia pesada, minas terrestres e um inimigo experiente. Centenas não voltaram. Tombaram longe de casa, defendendo valores universais como liberdade e soberania.
Monte Castelo simboliza essa entrega. Cada metro avançado custou suor e sangue. Cada trincheira tomada foi fruto de coragem individual e coesão coletiva. Os relatos dos combatentes falam de noites geladas, de companheiros feridos carregados nos ombros, de decisões tomadas sob fogo inimigo. Não eram super-heróis. Eram brasileiros comuns que fizeram algo extraordinário.
Passadas mais de oito décadas, o maior risco não é o inimigo externo. É o esquecimento. Na pressa do presente, o país às vezes negligencia a memória de seus heróis. Esquecer Monte Castelo é empobrecer nossa própria história. É ignorar que houve uma geração que respondeu ao chamado da nação quando ela precisou.
Celebrar os 81 anos da tomada de Monte Castelo não é um exercício de saudosismo militar. É um ato de justiça histórica. É reconhecer que a liberdade que desfrutamos hoje foi defendida também por jovens que vestiram a farda verde-oliva e enfrentaram o horror da guerra com bravura.
Que a memória da FEB permaneça viva nas escolas, nas instituições e no imaginário nacional. Que os nomes dos pracinhas sejam lembrados não apenas em datas comemorativas, mas como parte permanente da identidade brasileira. O Brasil que honra seus heróis fortalece seu futuro.
Monte Castelo foi mais do que uma colina conquistada. Foi a consagração da coragem de uma geração que atravessou o oceano para defender a liberdade. Ali, sob frio e fogo inimigo, o Brasil mostrou sua fibra. E a memória desses homens não pode jamais se perder no silêncio do tempo.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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