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Geopolítica

A derrota de Orbán abre uma fissura no muro do iliberalismo

Resultado eleitoral na Hungria expõe limites de projeto que avançou sobre instituições democráticas.

Fernanda Trompczynski

Fernanda Trompczynski

16/4/2026 16:00

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Por mais de uma década e meia, Viktor Orbán construiu, na Hungria, o que ele mesmo chamou de "democracia iliberal" – uma expressão que resume, com uma honestidade quase desconcertante, o projeto que colocou em prática. Por isso, a derrota de Orbán nas urnas, após 16 anos no poder, não é apenas um capítulo da política húngara, mas sim um evento com implicações que atravessam fronteiras.

Orbán chegou ao poder pela primeira vez em 1998, numa Hungria ainda em consolidação democrática após décadas sob a órbita soviética. Reeleito em 2010, iniciou uma reconfiguração sistemática do Estado: reformou a Constituição, alterou as regras eleitorais por meio de redesenho de distritos (gerrymandering) que favorecia artificialmente seu partido (o Fidesz), enfraqueceu a independência do Judiciário, centralizou o controle sobre os meios de comunicação e restringiu progressivamente as liberdades civis, especialmente de grupos minoritários. O resultado não foi um golpe de Estado; foi algo mais sofisticado, mas tão perigoso quanto. Orbán executou um desmonte gradual das instituições democráticas por dentro, com verniz legal, processo a processo, lei a lei.

O que Orbán construiu ao longo de seus 16 anos de governo virou referência para um movimento político mais amplo. Líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, Marine Le Pen, na França, e Jair Bolsonaro, no Brasil, além de admirarem o modelo húngaro, mantiveram com Orbán relações próximas e declarações públicas de afinidade. O iliberalismo ganhou coordenadas internacionais: supressão de direitos, controle estatal da mídia, erosão dos freios e contrapesos e um discurso permanente de confronto com instituições supranacionais, como a União Europeia. A Hungria se tornou, nos últimos anos, o país-símbolo de que democracias podem morrer não por força bruta, mas por sufocamento institucional.

Após 16 anos, saída de Orbán abre debate sobre reconstrução institucional no país.

Após 16 anos, saída de Orbán abre debate sobre reconstrução institucional no país.Reprodução/Instagram/@orbanviktor

O regime húngaro era, até então, a prova de que o muro do iliberalismo se sustentava. Mas o resultado das urnas abre uma fissura que permite ver a luz do outro lado. Por isso, o resultado das eleições húngaras merece ser lido com atenção. A participação eleitoral recorde registrada no pleito indica que, para além da polarização que temos visto há anos, resta um compromisso coletivo com as garantias democráticas fundamentais que resiste à erosão. Quando esse limite é atingido, o eleitorado responde.

Peter Magyar, o político que derrotou Orbán e assumirá o governo húngaro, ainda é uma incógnita em muitos aspectos. Sua trajetória recente é marcada por uma ascensão exponencial na política do país, impulsionada em grande parte por denúncias sobre o próprio governo Orbán. Qual será a profundidade de seu compromisso com a reconstrução institucional democrática? Como lidará com o aparato de poder que o Fidesz montou ao longo de 16 anos? São perguntas que ainda não têm resposta, mas que importam tanto quanto o resultado das urnas.

A lição mais relevante da Hungria, porém, está em outro lugar. Está no fato de que o enfraquecimento das instituições democráticas pode ser revertido quando sociedades decidem que o custo da apatia e da polarização é alto demais. A democracia é um projeto que precisa ser reafirmado, disputado e defendido para além dos ciclos eleitorais, em cada espaço público de debate.

O que aconteceu na Hungria não encerra a discussão sobre o avanço do iliberalismo no mundo. Muros não caem de uma vez, mas as fissuras importam. Elas mostram que a estrutura não é tão sólida quanto parecia, e que há, do outro lado, uma sociedade que ainda disputa seu próprio futuro. Resta agora acompanhar o que a Hungria fará com essa abertura, e se essa fissura se alarga ou volta a se fechar.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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