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Eleições
6/5/2026 16:00
O combate à desinformação nas eleições é uma das prioridades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, desde 2018, tem atuado para impedir a disseminação de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados no processo eleitoral.
Pensando nas Eleições deste ano, o Tribunal aprovou alterações na resolução que trata da propaganda eleitoral para regulamentar, entre outros pontos, o uso de inteligência artificial pelos partidos, candidatos e provedores de internet.
A inteligência artificial já não é apenas uma tendência tecnológica, ela se tornou uma peça central de qualquer campanha, e nas eleitorais modernas não seria diferente.
Em 2026, seu uso marca uma transformação profunda na forma como candidatos se comunicam, influenciam e conquistam eleitores. Mais do que uma ferramenta de apoio, a IA passou a atuar como estratégia política.
A nova lógica das campanhas eleitorais
Tradicionalmente, campanhas políticas eram baseadas em programas de TV, debates e comícios. Hoje, a dinâmica mudou. Com o uso de IA, campanhas conseguem analisar grandes volumes de dados em tempo real e ajustar suas estratégias com precisão.
Algoritmos permitem identificar perfis de eleitores com maior probabilidade de engajamento, criar mensagens personalizadas para diferentes públicos e testar discursos e conteúdos antes mesmo de divulgá-los.
Essa mudança torna as campanhas mais eficientes, mas também mais complexas e, em alguns casos, mais invasivas.
Microtargeting: falar com cada eleitor de forma única
Um dos principais usos da IA nas campanhas é o chamado microtargeting, que nada mais é do que a segmentação detalhada do eleitorado.
Com base em dados de comportamento online, localização e interesses, campanhas conseguem direcionar mensagens específicas para grupos muito bem definidos. Isso significa que:
Empresas como Meta e Google são centrais nesse processo, já que concentram grande parte dos dados e das plataformas usadas nas campanhas digitais.
Conteúdo gerado por IA: escala e velocidade
Outra transformação importante é a capacidade de produzir conteúdo em grande escala. Hoje, a IA pode gera textos, imagens e vídeos em segundos, criar discursos adaptados para diferentes públicos e ainda automatizar interações com eleitores por meio de chatbots.
Isso permite campanhas mais rápidas e com maior alcance, mas também levanta preocupações sobre autenticidade.
Deepfakes e desinformação
O uso indevido da IA representa um dos maiores riscos para as eleições. Tecnologias de geração de imagem e vídeo podem criar conteúdos falsos extremamente realistas, conhecidos como deepfakes.
Isso é um risco, pois esses materiais podem simular falas de candidatos, distorcer fatos e acabar influenciando decisões de última hora.
O desafio é que, muitas vezes, o impacto da desinformação acontece antes que ela seja desmentida.
Regulação e o papel das instituições
Diante desse cenário, órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral vêm criando regras para disciplinar o uso da IA nas campanhas.
Entre as principais medidas estão:
No entanto, a velocidade da tecnologia ainda supera a capacidade de regulamentação.
O uso da inteligência artificial nas campanhas levanta questões importantes e mostram que o desafio não é apenas tecnológico, mas profundamente humano.
Apesar das preocupações, a IA também oferece benefícios relevantes, afinal ela amplia o acesso à informação política, ela facilita o diálogo entre candidatos e eleitores e pode ainda aumentar o engajamento democrático.
Quando usada com responsabilidade, a tecnologia pode aproximar a política das pessoas.
A inteligência artificial está redefinindo as campanhas eleitorais. Ela torna a comunicação mais eficiente, personalizada e escalável - mas também mais vulnerável à manipulação e à desinformação.
O futuro das eleições não dependerá apenas da tecnologia, mas de como ela será utilizada. Transparência, ética e regulação serão fundamentais para garantir que a IA fortaleça - e não enfraqueça - a democracia.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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