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Tecnologia

Como a IA reacendeu o mercado de fusões e aquisições no Brasil

Empresas tradicionais passaram a comprar startups menos pelo faturamento e mais por algoritmos, dados e talentos difíceis de reproduzir.

Rafael Reis

Rafael Reis

19/5/2026 15:17

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O Brasil atravessa uma das mais significativas transformações em seu mercado de fusões e aquisições. Em 2025, o volume de transações no setor de tecnologia cresceu 71% apenas no primeiro semestre — número que não é surpresa para quem acompanha o reposicionamento estratégico das grandes corporações brasileiras. A inteligência artificial deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um critério decisivo de compra.

O padrão é cada vez mais claro: empresas tradicionais dos setores de varejo, agronegócio e finanças estão adquirindo startups de IA para acelerar sua transformação digital, uma resposta estrutural a um mercado altamente competitivo, que demanda saltos de eficiência operacional viabilizados por tecnologia.

O caso da Magazine Luiza ilustra com precisão o novo modelo. Nos últimos anos, o grupo deixou de ser apenas um varejista para se constituir como plataforma digital por meio de um ciclo contínuo de aquisições. A SmartHint, startup de IA para e-commerce com apenas 40 funcionários, e a mais recente Movestax, plataforma de aceleração de software com IA generativa anunciada no Cloud Futures 2025, são exemplos de um padrão que tende a se intensificar em 2026.

Quarenta funcionários e bilhões em market cap do adquirente. O que justifica esse tipo de negócio? A resposta não está nos demonstrativos financeiros. Nesse tipo de operação, o que atribui valor ao negócio é a propriedade intelectual, base de dados, modelos algorítmicos proprietários e, principalmente, o capital humano especializado que dificilmente seria recrutado no mercado aberto. Startups de tecnologia valem, na maior parte das vezes, pelo que ainda não entregaram.

É aqui que reside o primeiro grande desafio jurídico desse ciclo de M&A: como precificar e proteger ativos que existem, mas que não se encontram no balanço patrimonial? A estruturação de cláusulas de earn-out, mecanismos de ajuste de preço pós-fechamento e estratégias de retenção de founders tornam-se instrumentos centrais quando o ativo principal é intangível — e pode evaporar caso as pessoas-chave saiam da empresa após a conclusão do deal.

O mercado de PMEs respondeu por cerca de 94,6% do total de operações de M&A no Brasil em 2025. Boa parte dessas transações envolve startups que oferecem 'IA embarcada' em seus serviços, e é exatamente nesse ponto que o processo de due diligence precisa ser repensado.

A due diligence tradicional mapeia riscos financeiros, trabalhistas, tributários e regulatórios. No M&A de empresas de IA, essa estrutura é insuficiente. É preciso adicionar uma camada técnica sem a qual não é possível mapear os riscos reais do negócio.

Entre os pontos críticos estão a validação técnica dos modelos proprietários, os SLAs e contratos com fornecedores de infraestrutura de nuvem e processamento, os riscos associados a vieses algorítmicos capazes de gerar passivos regulatórios, além da conformidade com a LGPD, da segurança de dados e das trilhas de auditoria dos sistemas de IA.

A corrida por IA redefine o valor das startups e obriga o mercado jurídico a lidar com riscos tecnológicos cada vez mais complexos.

A corrida por IA redefine o valor das startups e obriga o mercado jurídico a lidar com riscos tecnológicos cada vez mais complexos.Magnific

Em 2026, essa dimensão se torna ainda mais crítica. Grandes operações estão sendo redefinidas pela necessidade de escala em data centers e energia, pilares essenciais para sustentar o processamento de IA. Adquirir uma startup de IA sem compreender sua dependência de infraestrutura de terceiros é um risco relevante.

A concentração das transações não ocorre de forma uniforme entre os setores. Tecnologia & SaaS lidera o mercado, respondendo por cerca de 36% do volume total de operações, com empresas como TOTVS, Blip e Tako figurando entre os principais exemplos desse movimento. Ainda assim, o avanço mais acelerado vem das fintechs, que registraram crescimento próximo de 100% nas transações em 2025, impulsionadas pela expansão de players como Itaú, Nubank e Nagro, especializada em IA aplicada ao crédito rural.

As healthtechs também atravessam um processo relevante de consolidação regional, especialmente em soluções de inteligência artificial voltadas ao diagnóstico e à gestão clínica. Ao mesmo tempo, o segmento de segurança digital e legaltechs ganhou forte tração diante da explosão das fraudes eletrônicas e da necessidade crescente de proteção de dados e compliance, abrindo espaço para empresas como idwall e Enter se tornarem ativos estratégicos nesse novo ciclo de aquisições.

O segmento de segurança e legaltech merece atenção especial. A alta demanda por prevenção a fraudes digitais, acelerada pela expansão do Pix e dos pagamentos instantâneos, criou um mercado de aquisições robusto nesse segmento.

Estamos em um ciclo de retomada madura do M&A no Brasil. Empresas tradicionais de setores consolidados estão reconstruindo sua competitividade por meio de aquisições estratégicas de tecnologia. Esse movimento vai se intensificar ao longo de 2026, e demandará assessorias capazes de compreender simultaneamente a engenharia jurídica da operação e seus riscos tecnológicos.

Isso exige que as consultorias de M&A desenvolvam competências que até recentemente eram tratadas como complementares e que agora são centrais. A análise de dependência de fornecedores de infraestrutura, a avaliação de riscos de descontinuidade tecnológica, a estruturação de cláusulas de retenção de talentos e a definição de métricas de earn-out vinculadas à performance de algoritmos são problemas que cruzam direito, tecnologia e estratégia de negócios simultaneamente.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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