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Eleições
19/5/2026 18:00
Este ano, cerca de 1,6 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos estarão aptos a votar, segundo projeção do Instituto Lamparina e do movimento Girl Up Brasil com base nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de pessoas dessa idade que se cadastraram para emitir o título de eleitor até o prazo final, no dia 6 de maio. O número representa cerca de 27,6% da população de adolescentes nessa faixa etária, bem abaixo do pico em 2022 (41,2%) e também das eleições gerais de 2014 (33,7%) e 2018 (31%). Para eles, o voto é facultativo e, portanto, o interesse em escolher seus representantes pode ser entendido como um termômetro de mobilização política.
A participação das novas gerações na política é um sinal importante em qualquer democracia: significa que seus interesses e perspectivas têm mais chances de ser bem representados, sendo eles os principais impactados pelas escolhas de agora para o futuro. E essa participação não se dá apenas pelo voto. O protagonismo dos jovens em espaços institucionais onde decisões são tomadas tornam um país mais apto a se adaptar às transformações do mundo. Mas, no Brasil, assim como em outros lugares, eles não parecem tão interessados em incidir politicamente pelas vias tradicionais.
Dados do TSE mostram que o número de filiados aos partidos políticos entre 16 e 24 anos caiu 56% entre 2014 e 2024. Há uma questão de confiança envolvida. Entre jovens brasileiros, 57% afirmam não confiar nos partidos, segundo pesquisa da Fundação Friedrich Ebert (FES). Embora a maioria defenda a democracia como a melhor forma de governo, seis a cada dez (58%) veem lideranças individuais como mais eficazes do que instituições na resolução de problemas. Metade (49%) acredita ser possível uma democracia sem partidos.
Esses dados sugerem uma reconfiguração de como a democracia é compreendida e desejada. A preferência por lideranças individuais aponta para a busca de respostas mais diretas, em contraste com processos institucionais percebidos como lentos ou pouco efetivos.
Nesse contexto, os partidos não conseguem se apresentar como espaços capazes de responder às demandas do presente e de se afirmar como canais de construção de futuro. O resultado é um afastamento entre o que os jovens projetam e o que as instituições oferecem como mediação dessas expectativas.
Parte das tentativas de mudar esse cenário passa por testar outras formas de conexão entre juventude e política institucional. O programa Nossas Excelências (NEx), da Legisla Brasil, por exemplo, é uma iniciativa voltada ao desenvolvimento e à potencialização de lideranças partidárias por meio de formações e mentorias. Em suas duas últimas edições, o programa ofereceu a jovens de diferentes partidos e ideologias ferramentas de gestão e inovação. A aposta é justamente a de investir na nova geração para que ela se torne cada vez mais relevante nas decisões partidárias e competitiva nas disputas eleitorais e, assim, possa contribuir efetivamente com as soluções necessárias às demandas do século XXI.
Os desdobramentos dessa iniciativa já começam a aparecer. A Juventude Socialista Brasileira do Rio de Janeiro (JSB/RJ), a partir dos aprendizados do programa, fortaleceu o Brota na Base, iniciativa que articula cultura, território e formação política em periferias e resultou na filiação de 135 jovens, com metodologia replicada por diretórios em outras regiões do país. No MDB, o programa Capacita+ estruturou uma jornada formativa que alcançou mais de 300 jovens e levou à filiação de 30 novos integrantes.
Esforços nesse sentido dependem de compreender com mais precisão o que incentiva, sustenta ou interrompe trajetórias políticas entre jovens. Movida por essa questão, a Legisla está conduzindo a pesquisa "Juventudes e Participação Partidária", com jovens de 18 a 29 anos que estão ou já estiveram engajados em partidos políticos. A investigação se dedica justamente a entender como os partidos se estruturam para incorporar essas lideranças.
Avançar nessa compreensão é condição para reorganizar a forma como a política institucional se relaciona com a juventude. Criar condições para que essa participação se traduza na definição de agendas e nas tomadas de decisão pode, quem sabe, nos proporcionar um sistema político com maior capacidade de responder aos desafios de um mundo em intensa transformação.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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