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Política

O tabuleiro da economia: quais as propostas econômicas e fiscais dos principais candidatos na corrida presidencial de 2026?

De continuidade à reestruturação profunda do pacto federativo, eleições reforçam visões distintas em questões estruturais para o país.

Wellington Calobrizi

Wellington Calobrizi

16/6/2026 9:00

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Embora os planos de governo oficiais ainda não tenham sido divulgados, com a consolidação de seus principais nomes, a corrida presidencial de 2026 já delineia seus contornos no campo das ideias econômicas.

Atualmente, o debate está centralizado, sobretudo, na sustentabilidade da dívida pública e na eficiência dos gastos governamentais, com propostas que variam de uma profunda ruptura fiscal e macroeconômica até um caminho de continuidade baseado em estímulo ao consumo e avanço da Reforma Tributária.

Com base em pronunciamentos e entrevistas recentes, análises na mídia e notícias oficiais dos partidos, apresento abaixo um pequeno resumo das propostas que começam a ser discutidas pelos cinco candidatos mais bem posicionados na disputa à Presidência da República, considerando a última pesquisa divulgada pela Nexus/BTG Pactual, no dia 27/04.

Antes mesmo dos programas oficiais, pré-candidatos sinalizam caminhos distintos para temas como dívida pública, impostos, previdência e crescimento.

Antes mesmo dos programas oficiais, pré-candidatos sinalizam caminhos distintos para temas como dívida pública, impostos, previdência e crescimento.Magnific

Lula: consumo, aposta nos ganhos da Reforma Tributária e regulação

Entrando na disputa pelo seu quarto mandato, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, teve na sua presente gestão uma forte agenda de estímulo ao consumo como vetor para a economia e deve centrar seu discurso na aprovação da Reforma Tributária, da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e em seus potenciais ganhos de simplificação fiscal para o país.

Dividido entre números razoáveis de crescimento e pressão pelo aumento dos gastos públicos, do custo de bens essenciais como a gasolina, Lula tem como desafio convencer o eleitor de sua capacidade em equilibrar o fortalecimento do PIB com a estabilidade da dívida.

Em um recente plano de metas divulgado no ano passado por sua equipe econômica – e que deve seguir como norte para um eventual próximo mandato – temos ainda apontamentos sobre transição ecológica na economia, a regulação das big techs, o aperfeiçoamento da Lei de Falências e a tributação dos chamados super ricos.

Flávio Bolsonaro e a necessidade da Reforma Previdenciária

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como principal candidato da oposição ao governo atual, fundamenta sua pré-campanha na crítica à excessiva carga tributária do país e na defesa da eficiência pública.

Sua plataforma econômica, coordenada por Rogério Marinho, classifica o atual arcabouço fiscal como uma "peneira" que perdeu a capacidade de disciplinar gastos e mantém juros elevados.

Flávio propõe, dentro desse contexto, uma revisão da Previdência, cujo modelo atual é descrito como prestes a "estourar" e indicando a possibilidade do desenho de uma nova sistemática previdenciária para o país. Outro ponto importante já citado pelo candidato inclui uma retomada da Reforma Trabalhista de 2017, para adaptá-la às novas tecnologias e dinâmicas do mercado.

Finalmente, a pauta de "menos tributos" mira diretamente o custo de vida cotidiano, como combustíveis e energia, buscando atrair o apoio do mercado financeiro e de setores produtivos, em pontos de atual desgaste no governo Lula.

Romeu Zema e a ruptura estatal

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresenta a proposta de maior ruptura com o atual modelo de participação estatal na economia. Estruturado em "cinco pilares", suas propostas prometem a eliminação do Custo Brasil em quatro anos e privatização de estatais federais, sem exceções para ativos estratégicos como a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

Zema defende também que chama de reforma da previdência "definitiva", com ajustes automáticos de idade e alíquotas baseados na expectativa de vida, além de uma flexibilização trabalhista que permita contratos negociados livremente, inclusive por jornada horária.

Fiscalmente, Zema aposta no corte drástico de gastos e no combate aos "supersalários" em Brasília como o caminho para reduzir juros e a inadimplência, complementado por uma abertura comercial gradual ao exterior através da redução de tarifas de importação.

Ronaldo Caiado e o enfrentamento do Custo-Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), busca se posicionar, em seus primeiros discursos, como um gestor pragmático com altos índices de aprovação em seu Estado e que busca, dentre outros pontos, enfrentar o Custo-Brasil, que ele estima em 23% para os empresários, devido à burocracia e corrupção.

Sua vitrine econômica inclui também o potencial de exploração de minerais críticos e terras raras, visando transformar o Brasil de mero exportador em um processador desses recursos através de parcerias com países como os Estados Unidos.

No campo fiscal, Caiado é um crítico severo da gestão Lula, classificando o aumento da dívida pública como um "colapso completo" e defendendo a emancipação social em substituição ao que chama de "assistencialismo populista".

Finalmente, o governador foca seu discurso em pacificação política como um caminho necessário para que haja foco exclusivo na gestão pública.

Renan Santos: Reestruturação Federativa no radar

Por fim, Renan Santos (Partido Missão) apresenta uma agenda focada no equilíbrio do modelo federativo e em reformas administrativas austeras e profundas, se colocando como um candidato de antagonismo direto ao modelo atual de gestão pública aplicado no país.

Sua proposta inclui da fusão de municípios economicamente inviáveis a criação de indicadores de desempenho para gestores locais, com a possibilidade de intervenção em casos de descumprimento de metas.

Nesse mesmo sentido, Santos critica o crescimento das despesas obrigatórias e defende o fim do reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo, além de propor a transição da Previdência para um modelo de capitalização.

Sua plataforma vincula, por fim, o ajuste fiscal diretamente ao enfrentamento do crime organizado como premissas para a retomada do crescimento, além de uma agenda forte de corte de impostos (tesouraço), como um caminho para o estímulo da liberdade econômica e atração de investimentos para o país.

Conclusão e quadro comparativo

O cenário de 2026 apresenta desde a continuidade de um projeto que aposta suas fichas nos ganhos da Reforma e sustenta seu discurso na redução de desigualdades via tributação da renda e sustentabilidade ambiental até projetos que priorizam a redução do tamanho do Estado, o foco na eficiência da gestão e que retomam o debate sobre previdência e custos trabalhistas.

A convergência entre os candidatos de oposição reside na crítica ao atual patamar de endividamento e no entendimento de que uma melhoria da administração pública é uma rota para a redução dos juros, enquanto o governo atual defende que o fortalecimento institucional e a regulação são os pilares para uma economia estável.

Em outras palavras: as peças começam a se colocar na mesa e o eleitor deve decidir que rumos dará para o jogo eleitoral.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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