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Cidades

Barraram a Times Square Paulistana e quem perde é São Paulo

O veto ao Boulevard São João ignora experiências bem-sucedidas no mundo e condena a região a continuar refém do esvaziamento urbano.

Amanda Vettorazzo

Amanda Vettorazzo

18/6/2026 10:00

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O último sábado deveria ter sido histórico em São Paulo. Se dependesse da vontade de boa parte dos paulistanos, de grandes empreendedores e de diversas entidades da cidade, milhares de pessoas, entre moradores e turistas, se encontrariam no cruzamento mais conhecido do país — entre as avenidas São João e Ipiranga — para assistir, nos telões do Boulevard São João, à estreia do Brasil na Copa do Mundo.

Apesar do jogo ser à noite, às 19 horas, horário pouco convidativo devido ao histórico recente de insegurança na região (o que mudou bastante, mas isso é outro assunto), a exposição gratuita da partida iria marcar uma nova fase para o Centro de São Paulo, apresentando o Boulevard São João como uma alternativa acessível e convidativa para todo tipo de pedestre — seja ele paulistano ou não.

Acontece que, graças a uma decisão monocrática da Justiça, nada disso irá acontecer. Em uma peça muito mais política do que jurídica, uma juíza temeu "potencial dano a toda a população" e, sozinha, resolveu vetar uma ideia desenhada por diversas mãos. Então eu me peguei pensando: a tal juíza leu o projeto?

Barrar um projeto financiado pela iniciativa privada interrompe uma oportunidade de devolver vida, cultura e convivência ao coração de São Paulo.

Barrar um projeto financiado pela iniciativa privada interrompe uma oportunidade de devolver vida, cultura e convivência ao coração de São Paulo.Edson Lopes Jr./Prefeitura de SP

Para além dos telões — instalados com recursos privados —, haveria a requalificação do Largo do Paysandu e da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, além da abertura da Avenida Ipiranga e de parte da Avenida São João para pedestres aos fins de semana, proporcionando gastronomia de rua, ativações culturais e um novo espaço de lazer para os paulistanos no coração da cidade. Perguntar não ofende: onde está o tal "potencial dano a toda a população" nisso tudo?

O potencial dano à população não se concretizou em nenhum dos locais em que a ideia foi implementada. Trata-se, na verdade, de uma política pública já validada e plenamente replicável, utilizada para revitalizar o cruzamento da Broadway com a Sétima Avenida, em Nova York, a Avenida Corrientes, em Buenos Aires, e Piccadilly Circus, em Londres. exemplos de transformação urbana são tão conhecidos e bem-sucedidos que não é difícil imaginar que parte dos críticos do Boulevard São João — inclusive a tal juíza — tenha visitado ao menos um deles.

Sendo assim, existe somente uma palavra possível para descrever o que estão fazendo com o centro de São Paulo: boicote. Boicote com os empreendedores locais, boicote com os munícipes, boicote com os milhões de turistas que nos visitam todos os dias e, principalmente, boicote com a cidade de São Paulo. Porque o único "potencial dano a toda a população" dessa história toda serão as ruas esvaziadas do nosso centro.

Uma pena!


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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