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Desenvolvimento econômico
30/6/2026 11:00
O Brasil vive um momento decisivo para ampliar sua inserção na economia global. A entrada em vigor do Acordo Comercial Interino (ITA) entre Mercosul e União Europeia representa muito mais do que a redução de tarifas ou o aumento das exportações. Trata-se de uma oportunidade histórica para fortalecer a indústria nacional, ampliar mercados e consolidar um modelo de desenvolvimento baseado na inovação, na competitividade e na geração de emprego e renda.
Os números demonstram que já existe uma relação comercial consolidada. Em 2025, 8.769 empresas brasileiras exportaram para a União Europeia, o equivalente a quase três em cada dez empresas exportadoras do país. Para aproveitar ainda mais todo esse potencial, o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Sebrae, percorrerá diferentes regiões do país para aproximar o setor produtivo das oportunidades abertas pelo acordo comercial. Itajaí (SC) está nesse roteiro. E não é por acaso.
O empreendedorismo segue em ritmo acelerado em Santa Catarina. Dados do Observatório de Negócios do Sebrae/SC mostram que o Estado registrou a abertura de 94.332 pequenos negócios no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho coloca Santa Catarina acima da média nacional, que avançou 12,6% no período. Em comparação com 2024, o avanço é ainda mais expressivo, pois, em dois anos, o número de novos pequenos negócios no Estado cresceu 49,6%, evidenciando a força e a resiliência do ambiente empreendedor catarinense.
Em Itajaí, a geração de empregos pelos pequenos negócios teve um saldo estimado de 2.500 vagas no primeiro trimestre de 2026. São quase 62 mil pequenos negócios no município, que têm como estratégia o desenvolvimento sustentável de empreendimentos ligados ao mar e aos recursos hídricos, impulsionando inovação, competitividade e faturamento. Em Itajaí, o projeto Economia Azul, do Sebrae, está muito focado no setor naval e de defesa, no qual o município é referência nacional.
A criação do programa Conexões Produtivas aproxima empresários das novas possibilidades de negócios e representa um passo importante para que o Brasil amplie sua presença em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Para Santa Catarina, Estado com forte vocação industrial, agrícola e exportadora, o acordo representa perspectivas ainda mais promissoras. Setores como móveis, mel, café industrializado, alimentos processados e diversos segmentos da indústria de transformação terão acesso facilitado ao mercado europeu, ampliando investimentos e fortalecendo cadeias produtivas locais.
É justamente nesse ponto que as políticas públicas fazem toda a diferença.
O acordo foi negociado preservando importantes instrumentos de proteção aos interesses nacionais. Outro aspecto extremamente relevante é que o tratado reconhece formalmente as micro, pequenas e médias empresas como protagonistas do desenvolvimento econômico.
Pela primeira vez, um acordo comercial dessa dimensão dedica um capítulo específico às MPMEs, estabelecendo mecanismos para reduzir burocracias, ampliar a transparência, simplificar procedimentos aduaneiros e facilitar o acesso às informações necessárias para exportar.
O Brasil reúne condições únicas para competir globalmente. Temos uma indústria diversificada, um agronegócio altamente eficiente, capacidade empreendedora e milhões de pequenos negócios que movimentam nossa economia diariamente.
Mas a competitividade não nasce apenas do esforço individual dos empreendedores. Ela depende de investimentos públicos, políticas industriais consistentes, crédito, infraestrutura, inovação, educação profissional e instituições fortes capazes de apoiar quem produz.
O acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser visto exatamente dessa forma: não como um ponto de chegada, mas como o início de uma nova etapa de desenvolvimento econômico.
Se aproveitarmos esse período de transição para modernizar nossas empresas, aumentar a produtividade e fortalecer os pequenos negócios, o Brasil chegará ainda mais preparado para disputar mercados internacionais, gerar empregos de qualidade e construir um crescimento econômico sustentável.
O futuro do comércio internacional pertence aos países que conseguem combinar abertura econômica com fortalecimento da produção nacional. O Brasil tem todas as condições para ocupar esse espaço. E nossos pequenos negócios serão protagonistas dessa nova fase.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].