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Energia
31/7/2026 13:00
A energia elétrica está presente em praticamente todos os momentos da vida moderna. Ela ilumina cidades, movimenta hospitais, mantém escolas e empresas em funcionamento, conecta pessoas e impulsiona o desenvolvimento do país. Mas, ao mesmo tempo em que transforma vidas e gera oportunidades, exige atenção e respeito. Para as distribuidoras de energia, levar eletricidade com qualidade é tão importante quanto promover o seu uso seguro e preservar vidas.
Essa preocupação tem razão de ser. Em 2025, o Brasil registrou 703 acidentes envolvendo a rede elétrica. Foram 252 mortes, além de centenas de pessoas feridas. Por trás desses números estão trabalhadores, famílias e comunidades impactadas por situações que, em muitos casos, poderiam ter sido evitadas.
Os acidentes acontecem em atividades do dia a dia. Em obras e reformas realizadas próximas à rede elétrica. Na operação de máquinas agrícolas e guindastes. Em ligações clandestinas. Durante tentativas de retirar objetos presos à fiação. Ou ainda quando pessoas se aproximam de cabos caídos após tempestades, sem perceber os riscos envolvidos.
A construção civil continua liderando as estatísticas nacionais, com 227 acidentes registrados e 68 mortes. Também chama atenção o crescimento dos casos envolvendo equipamentos agrícolas, máquinas e guindastes operados próximos à rede elétrica, que praticamente dobraram em relação ao ano anterior.
Esses números mostram que o desafio vai além da infraestrutura. Eles revelam a necessidade de fortalecer uma cultura de prevenção e conscientização capaz de transformar comportamentos e evitar tragédias.
O Brasil avançou significativamente em temas como segurança no trânsito, uso de equipamentos de proteção individual e prevenção de acidentes de trabalho. Ainda assim, quando falamos sobre energia elétrica, muitas vezes prevalece a falsa sensação de familiaridade. Como convivemos diariamente com a eletricidade, tendemos a subestimar seus riscos.
A falta de percepção do risco aparece em situações comuns. Ela está presente quando alguém empina uma pipa próximo à rede elétrica. Quando um trabalhador realiza uma reforma sem observar a distância segura dos cabos. Quando um equipamento agrícola é operado sem planejamento em áreas energizadas. Quando pessoas tentam retirar objetos presos na fiação ou se aproximam de cabos caídos após tempestades.
Também aparece em práticas que, além de ilegais, representam grave ameaça à vida, como as ligações clandestinas e o furto de cabos elétricos. Juntas, essas ocorrências foram responsáveis por 58 acidentes e 25 mortes no último ano.
É importante compreender que segurança elétrica depende de uma rede de conscientização que envolve empresas, trabalhadores, escolas, poder público, famílias e cidadãos.
Esse é um desafio especialmente relevante em um momento em que o Brasil amplia sua infraestrutura, expande atividades econômicas e incorpora novas tecnologias ao cotidiano. Quanto maior a presença da energia em nossas vidas, maior deve ser nossa capacidade de conviver com ela de forma segura.
A boa notícia é que a maioria desses acidentes pode ser evitada. Informação salva vidas. Orientação salva vidas. Comportamentos responsáveis salvam vidas.
É justamente essa convicção que inspira a 20ª edição da Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, promovida pela Abradee e suas distribuidoras associadas. Mais do que divulgar números, queremos estimular uma reflexão coletiva sobre escolhas que fazemos todos os dias e que podem representar a diferença entre a prevenção e a tragédia.
Quando falamos em segurança elétrica, não estamos tratando apenas de indicadores ou estatísticas. Estamos falando de pessoas.
Cada acidente representa uma história interrompida. Um trabalhador que não voltou para casa. Um jovem que perdeu a vida durante uma brincadeira. Uma família que precisará conviver para sempre com as consequências de uma decisão tomada em poucos segundos.
Por isso, é hora de deixarmos de enxergar esses episódios como fatalidades inevitáveis. Na maioria das vezes, eles não são. São tragédias que podem, e devem, ser prevenidas.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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