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Eleições 2026
25/8/2026 16:00
Há um grupo de mulheres que a política brasileira talvez ainda não esteja olhando com a devida atenção: as empreendedoras. São quase 10 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres no Brasil, um contingente que já ocupa um espaço relevante na economia do país e torna o empreendedorismo feminino uma agenda estratégica. Mas esse universo está longe de ser homogêneo. Reúne empresárias, artesãs, costureiras, agricultoras, prestadoras de serviços e mulheres que trabalham por conta própria, muitas vezes sem funcionários, em diferentes territórios e realidades socioeconômicas. A pesquisa Empreendedoras e seus Negócios 2026, realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME), ajuda a lançar luz, entre outros pontos, sobre uma dimensão ainda pouco explorada desse grupo: sua relação com a política.
A maioria das empreendedoras não abre mão do voto. 56,4% discordam que tendem a anular o voto, votar em branco ou se ausentar das eleições. Elas também indicam critérios claros para a escolha de seus representantes: 76,8% consideram muito importante que um candidato apresente propostas relacionadas às causas que consideram prioritárias, como educação e saúde. Na relação com a informação política, 35% acompanham perfis e páginas sobre política nas redes sociais e 16,3% afirmam buscar notícias políticas ativamente. O retrato que emerge é de um grupo que participa, se informa e espera propostas concretas, mas ainda encontra uma distância importante em relação à representação: 47,6% não se sentem representadas na política como empreendedoras. Há participação eleitoral, mas permanece uma lacuna de representação.
Para entender essa lacuna, é preciso olhar para a vida que existe por trás dos negócios. A maioria das empreendedoras é mãe e, entre elas, 42,4% são mães solo. Mais da metade são as principais provedoras de suas famílias, enquanto 70% trabalham por conta própria, sem colaboradores. O negócio, para muitas, precisa caber ao mesmo tempo na rotina de trabalho, no orçamento da família e nas responsabilidades de cuidado. Não por acaso, 80,7% já interromperam o trabalho para realizar atividades de cuidado e 61,7% afirmam que a sobrecarga impacta o desenvolvimento do negócio.
Essa realidade econômica também é marcada por restrições. 54,7% começaram a empreender por necessidade, 46,6% têm faturamento mensal de até R$ 3.242 e nove em cada dez não conseguem gerar sobra, depois das despesas básicas pessoais e dos custos do negócio, para reinvestir ou poupar. Não surpreende, nesse contexto, que 92,3% considerem que as mulheres enfrentam mais desafios do que os homens para empreender.
É justamente aí que os dados sobre comportamento político ganham relevância. Para candidatos e formuladores de políticas públicas, o recado da pesquisa não é encontrar uma única "pauta das empreendedoras", mas compreender que diferentes políticas públicas se encontram na vida de uma mesma mulher. Para quem depende do próprio negócio para sustentar a família, uma política de crédito dialoga com uma política de cuidado; acesso à saúde dialoga com a capacidade de trabalhar; transporte e segurança dialogam com o acesso a fornecedores, clientes e mercados.
Em 2026, milhões de empreendedoras estarão diante da urna. A política já sabe que elas são importantes para a economia. Os dados mostram que precisa aprender também a ouvi-las como eleitoras, porque a mulher empreendedora é parte do retrato do Brasil que queremos para todas as mulheres: um país em que trabalhar, cuidar, empreender e participar da vida pública não sejam escolhas excludentes.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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