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Desenvolvimento
29/10/2026 13:00
Durante décadas, o Brasil carregou a promessa de se tornar o país do futuro. Uma potência sempre prestes a despontar, mas que, diante de sucessivas crises, nunca realizava plenamente seu potencial. Apesar dos percalços, talvez estejamos mais próximos de cumprir essa promessa, ainda que nossos avanços permaneçam frágeis.
Nos últimos anos, o mundo passou a prestar mais atenção ao Brasil, que ganhou destaque como símbolo de resistência democrática em meio à instabilidade das democracias liberais. Mesmo sendo uma potência petrolífera, somos referência na transição energética, com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Nossa cultura segue conquistando novos públicos, enquanto a participação nos BRICS nos coloca nas discussões sobre uma nova ordem internacional, em que a hegemonia ocidental é cada vez mais questionada.
Com uma formação influenciada pelas culturas europeias e africanas, enriquecida pelas comunidades árabes e asiáticas e pela convivência com nossos vizinhos latino-americanos, o Brasil se tornou um ponto de encontro entre diferentes povos. Essa diversidade, somada à experiência de enfrentar problemas que hoje preocupam boa parte do mundo, nos coloca em posição singular para contribuir com novas respostas aos desafios contemporâneos.
O próximo presidente assumirá, em janeiro de 2027, um país cuja crise de credibilidade institucional exige reformas para recuperar a confiança da população. Encontrará também um cenário internacional que demanda planejamento estratégico diante das transformações econômicas e tecnológicas. Precisaremos de um projeto de Estado, com prioridades nacionais que sobrevivam às disputas eleitorais.
Isso exige reconhecer o papel das empresas nacionais e das estatais na construção de uma economia mais produtiva, capaz de transformar nossas riquezas em prosperidade. Será necessário fortalecer a parceria entre Estado e iniciativa privada para desenvolver projetos que protejam as empresas brasileiras e os trabalhadores. Também precisamos repensar uma estrutura econômica em que o peso dos juros e os interesses financeiros têm tornado o Brasil refém de uma lógica que privilegia a rentabilidade de agentes externos e de uma elite rentista, pouco comprometida com o desenvolvimento nacional.
Esse projeto depende também do papel técnico dos servidores públicos, cuja experiência e estabilidade são a única garantia para a continuidade das políticas nacionais para além dos governos. Precisamos fortalecer essa estrutura de Estado, compreendendo que as soluções para os problemas de eficiência e redução de custos deverão vir de outros caminhos, e não do enfraquecimento dos serviços públicos ou da capacidade de atender às demandas da Nação.
Mais do que promessas, o momento exige pragmatismo. O próximo governo precisará enfrentar nossos problemas internos e buscar convergências entre demandas legítimas da esquerda e da direita, superando a polarização para construir um projeto nacional que ofereça melhores condições de vida aos brasileiros.
O Brasil que queremos é um país que reconheça suas capacidades, preserve sua soberania e encontre seu próprio caminho, dialogando com o mundo sem subordinar seu futuro a interesses externos, seja de quem for. Talvez o maior desafio do próximo presidente seja reunir o país em torno de um plano coletivo e garantir que o Brasil finalmente se torne aquilo que há tanto tempo promete ser: o país do futuro.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
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