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Da Revolução Industrial à era dos algoritmos, o desafio é impedir que a tecnologia domine o ser humano.

Marcus Pestana

Marcus Pestana

30/5/2026 8:00

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A trajetória humana é a história de sucessivos desequilíbrios, provocados pela constante inovação, fruto da inquietação humana e da busca permanente de desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida. O mundo nunca deu razão àqueles que acreditavam numa utopia estacionária, onde, em certo momento, estabilizaríamos a vida, alcançando tranquilidade e a conservação do status quo, sem as tormentas causados pelas mudanças disruptivas e inovações revolucionárias.

O conflito entre o novo e o velho, modernidade e tradição, estabilidade e disrupção, não é novidade e se renova sempre. Às vezes, assusta e preocupa. O movimento operário inglês, no início do século XIX, liderado pelo Ludismo, invadia fábricas para quebrar máquinas e teares, emblemáticos da primeira fase da Revolução Industrial, em protesto contra o desemprego tecnológico e as péssimas condições de trabalho.

A história do desenvolvimento humano se assemelha à imagem cunhada pelo economista austríaco Joseph Schumpeter de que o motor das transformações seria a "destruição criativa", definidora dos sucessivos ciclos econômicos. O novo sempre gera ansiedade e apreensão. É o medo em relação à seleção natural darwinista, com a sobrevivência dos mais aptos e a exclusão daqueles que não se adaptam às inovações.

O domínio do fogo, a invenção da roda, a máquina a vapor, o telégrafo, o motor à combustão, as ferrovias, a luz elétrica, a telefonia, o domínio da química, a indústria automobilística, a aviação, a energia nuclear, a internet, entre outras inovações, determinaram o aumento da produtividade da economia, a criação de novos negócios e a melhoria da qualidade de vida.

Avanços tecnológicos ampliam oportunidades, mas exigem regras que preservem trabalho, diversidade e dignidade humana.

Avanços tecnológicos ampliam oportunidades, mas exigem regras que preservem trabalho, diversidade e dignidade humana.Magnific

A inteligência artificial é a bola da vez. A dimensão ainda não completa de seus impactos e das transformações velozes e profundas que estão por vir deixam mil interrogações no ar. Algumas projeções são assustadoras. Os efeitos de qualquer inovação revolucionária são sempre contraditórios. Teremos máquinas e robôs inteligentes e autônomos? Quais são os padrões morais e éticos que os orientarão? A IA tanto poderá garantir um salto educacional, como servir ao crime organizado. Poderá ser um grande avanço cultural, mas também sofisticar as armas e a guerra.

Em boa hora, o Papa Leão XIV lançou a Encíclica Magnifica Humanitas sobre o momento em que vivemos e os seus desafios. "Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano". Combatendo o monopólio das grandes plataformas sobre algoritmos e paradigmas tecnológicos. Incorporando a diversidade de culturas e de formas de vida. Gerando códigos éticos para apropriação das inovações derivadas da IA. Aliviando o ser humano de trabalhos e tarefas pesadas, repetitivas e perigosas, mas com atenção às vítimas inevitáveis do "desemprego tecnológico".

Nossa atual dependência do mundo digital chega a ser doentia e preocupante. Assusta-me no aeroporto, na praia, nos restaurantes ou na academia de ginástica, o fenômeno da hiperconectividade. Não se abandona a tela do celular nem por um minuto sequer. Não contemplamos mais a vida e a natureza. Não guardamos espaço para a reflexão e a imaginação. O espaço de diálogo e convívio é cada vez menor. O avanço da IA vai aguçar esses traços.

Não estou pedindo um "Ludismo" pós-moderno, simplesmente que ouçamos as ponderações de Leão XIV e sua Encíclica.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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