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Eleições
5/5/2026 12:00
O Brasil caminha para novas eleições presidenciais com um cenário político radicalmente empobrecido. A disputa deverá ser travada entre o presidente Lula e principalmente o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também podendo contar com outros, alinhados com o governo anterior. Lula disputará sua sétima eleição, tendo vencido três delas e governado com êxito em muitas das iniciativas governamentais. Os números desse período são inequívocos. O Brasil de 2002 em nada se parece com o país de 2025. Em onze desses anos, o Brasil foi governado por Lula e em cinco por sua ex-ministra Dilma Rousseff.
Não é preciso alinhavar aqui todos os avanços nas várias áreas de governo, nem contrastar com os retrocessos ocorridos nos longos seis anos e tantos meses de Temer e Bolsonaro. Quem duvidar, basta conferir os dados disponíveis nas páginas do IBGE, do IPEA, do Banco Mundial e do FMI, entre outras. Fica aqui algumas das conquistas, ajustadas às restrições políticas e orçamentárias.
Na política, Lula equilibrou-se com destreza sem nunca ter maioria no Congresso. Falamos de maioria programática vinculada a partidos com funcionamento orgânico e disciplina política. Maiorias se formaram de acordo com entendimentos momentâneos e em certo grau fisiológicos. Lula teve ministros de partidos como o PCdoB, Rede, PSOL, PSB, PDT, PT, MDB, União Brasil, Republicanos e PSD.
Na economia, a gestão é de centro, com pitadas de centro-esquerda nas políticas sociais e de disciplina na gestão orçamentária e na política monetária. Especialmente nesta dimensão vale a pena mostrar números, diante da difusão a torto e a direito de um discurso de desleixo fiscal que não condiz com os fatos
Ao longo de todos os governos de Lula houve disciplina fiscal incontestável, por mais que analistas viesados insistam no contrário. No período que cobre os dois primeiros mandatos de Lula o superávit primário médio foi de 2,5% do PIB, sendo que neste intervalo o país e o mundo conviveram com a maior crise financeira de todo o pós-guerra, quando, em 2008, o déficit primário foi de apenas -0,7% do PIB. Nenhum outro país conseguiu este feito; basta consultar as informações dos organismos internacionais e comprovar. No primeiro mandato de Dilma, os superávits primários ainda prevaleceram, apesar de menores, com média de +1,1%, um feito diante da conjuntura internacional e das pressões internas que o governo sofria no campo ideológico, político e do mercado financeiro, com antecipação de ataques pré-eleitorais de toda ordem.
O contraste com os anos de Temer e Bolsonaro saltam aos olhos. No período 2015 a 2022 a média do resultado primário foi negativo em 1,27% do PIB, excluindo do cálculo o dado atípico (pandemia) de 2020 (-10,0%). Já no atual governo a gestão de caixa não perdeu o rigor e os resultados de realização das metas assumidas fala mais alto. Os críticos esquecem a realidade herdada em 2022, com os precatórios não pagos, a enxurrada de gastos de subsídios para influenciar nas eleições, o desmonte do setor público, a retenção de recursos dos Estados e municípios e a alienação de empresas estatais estratégicas "na bacia das almas". A revisão da baliza para a gestão orçamentária, deixando para trás o descabido "teto de gastos, foi feita com muita negociação com o parlamento, onde predomina partidos de oposição.
Mesmo com todo o zelo na política fiscal o governo federal não deixou de avançar na busca de políticas públicas perseguindo o crescimento econômico e enfrentando a perversa e escandalosa distribuição de renda. Para ilustrar, é só verificar a isenção de IRPF para rendas mensais salariais de até R$ 5 mil, com a simultânea revisão da tributação das rendas mensais acima de R$ 50 mil. Apesar do avanço, os dividendos por aqui continuam pouco tributados, quando comparamos com a média das alíquotas nos países da OCDE.
Na saúde e na educação, a gestão tem relevantes conquistas, mas nada que possa ser caracterizado como esquerdista. As limitações orçamentárias e a submissão a uma taxa de juros nas alturas determinam gargalos importantes.
Na agenda do desenvolvimento, não há governo que tenha dialogado mais com o empresariado que os governos do PT. No atual governo, essa agenda foi comandada pelo ex-tucano Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em sintonia com a ministra Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia e com o presidente do BNDES, Aloisio Mercadante.
E, na Agricultura, Lula manteve o que sempre fez em seus mandatos: fortalecimento da agricultura exportadora e ao mesmo tempo apoio às políticas de desenvolvimento da produção de alimentos tocada pela agricultura familiar. Em três anos retirar o país do mapa da fome, de novo, não é pouca coisa.
No cenário internacional, Lula destacou-se pelo diálogo amplo, com foco no distensionamento, redução das desigualdades, a questão climática e a abertura de novos mercados. E fortaleceu a imagem de um país democrático, priorizando o multilateralismo e as organizações internacionais. O presidente é reconhecido como um líder corajoso e equilibrado que enxerga o concerto das nações e não se rende a ameaças de onde quer que seja. A condução perante o estúpido tarifaço do presidente dos EUA revela a estatura do líder brasileiro.
Resumindo, Lula é a representação mais viável e legítima de um bloco político que vai da centro-direita à esquerda. Com esmero, procurou honrar os votos que recebeu em 2022, ciente que a volta ao Planalto não foi uma conquista apenas do PT, ou mesmo da esquerda. Teve votos e apoios de muitos setores que sabem que Lula é um democrata e sua defesa maior é tirar a Constituição Federal do papel e transformá-la em direitos e deveres reais, de forma que cada brasileiro e brasileira sintam-se pertencentes à República.
Por isso, é absurda a caracterização de polarização política que muitos insistem em colar nos corações e mentes da população. O que há é uma disputa entre a democracia e o golpismo e a barbárie. Entre uma Nação soberana e um projeto de recolonização, com a entrega de nossas riquezas minerais; entre uma visão científica da questão climática e o negacionismo. E, fundamentalmente, entre um país para todos ou a institucionalização de práticas políticas imorais e perigosas, como revela o histórico do grupo majoritário que lidera a agressiva ofensiva na difusão de falsidades e sofismas.
Não enxerga quem não quer. Não há verdadeira polarização, por mais que neguem o real. Lula é o centro da racionalidade em um sistema político fragmentado e complexo.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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