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Economia
18/7/2026 16:26
O anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros merece uma reflexão serena, firme e estratégica. O Brasil sempre cultivou uma relação historicamente pacífica com os Estados Unidos e com as grandes democracias do mundo. Nossa tradição diplomática é marcada pelo diálogo, pelo respeito aos tratados internacionais e pela busca de soluções negociadas, nunca pelo confronto.
Brasil e Estados Unidos mantêm uma das mais relevantes relações comerciais das Américas. Em 2025, o comércio bilateral de bens ultrapassou US$ 94 bilhões, enquanto a corrente total de bens e serviços superou US$ 127 bilhões, demonstrando que ambas as economias se beneficiam dessa parceria. Além disso, os próprios dados oficiais americanos mostram superávit comercial dos Estados Unidos na relação com o Brasil em diversos segmentos.
É justamente por essa história de cooperação que medidas tarifárias amplas causam preocupação. Barreiras comerciais raramente produzem vencedores absolutos. Elas aumentam custos, reduzem competitividade, geram insegurança para investidores e acabam atingindo empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados.
O Brasil deve responder com maturidade. Não com hostilidade, mas também não com submissão. Uma nação soberana dialoga de cabeça erguida. Defende seus interesses sem romper pontes. Negocia com firmeza, mas preserva a estabilidade institucional e econômica. Precisamos privilegiar a reciprocidade e a negociação antes de qualquer escalada de medidas.
O nosso país não é apenas um grande exportador de commodities. Somos uma potência agrícola, energética, mineral e ambiental. Alimentamos cerca de 800-900 milhões de pessoas em todos os continentes e possuímos uma das maiores capacidades de expansão sustentável da produção de alimentos do planeta. Tenho um projeto de dobrar a produção de alimentos nos próximos dez anos para alimentarmos quase 2 bilhões de seres humanos e assim sentaríamos de igual para ingual com os EUA e China. Essa realidade impõe respeito. O Brasil não deseja privilégios; deseja previsibilidade, segurança jurídica e relações comerciais equilibradas.
Como tenho defendido há muitos anos, as nações precisam trocar a cultura da disputa pela cultura da cooperação. No século XXI, os grandes desafios da humanidade — segurança alimentar, inovação, energia, sustentabilidade e saúde mental — não serão resolvidos por guerras comerciais, mas por inteligência diplomática.
O Brasil deve continuar ampliando mercados, fortalecendo acordos internacionais e agregando valor aos seus produtos por meio da ciência, da tecnologia e da industrialização. Quanto mais inovadora for nossa economia, menor será nossa vulnerabilidade diante de decisões unilaterais de qualquer parceiro comercial.
Defender la soberania nacional não significa fechar portas. Significa ter a liberdade de decidir o próprio destino, preservar nossas instituições e negociar de igual para igual com qualquer potência do mundo.
O respeito entre as nações nasce quando a força econômica caminha ao lado da serenidade diplomática. O Brasil sempre escolheu o caminho da paz. E exatamente por isso merece ser ouvido, respeitado e tratado como um parceiro estratégico, jamais como um adversário.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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