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Eleições

A matemática por trás da virada histórica de Lula

Presidente transformou a desvantagem do primeiro turno em uma vitória por 4,43 milhões de votos, impulsionado pela redução da abstenção e pelo crescimento de sua votação em todas as unidades da Federação.

Vanessa Marques

Vanessa Marques

28/10/2026 11:00

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A eleição presidencial de 2026 produziu um resultado inédito desde a redemocratização. Pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a diferença e vencer a disputa. A virada de Lula revela um movimento eleitoral de alcance nacional, marcado pela redistribuição dos votos, pelo aumento da participação e por mudanças nas margens de votação em praticamente todo o país.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou com uma vantagem de 2,2 milhões de votos. Três semanas depois, Lula venceu por 4,43 milhões. Uma mudança de aproximadamente 6,6 milhões de votos na diferença entre os candidatos. O resultado foi construído pela combinação de movimentos eleitorais e territoriais.

O primeiro foi a redistribuição dos votos. Lula acrescentou 10,38 milhões de votos entre os turnos, enquanto Flávio Bolsonaro cresceu 3,72 milhões. Os candidatos eliminados haviam recebido, juntos, aproximadamente 9,3 milhões de votos. A disputa por esse eleitorado ocorreu em um cenário de maior participação e redução dos votos brancos e nulos.

A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, o menor índice em duas décadas. Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas. Ao mesmo tempo, os votos brancos e nulos diminuíram cerca de 1,8 milhão. Esses movimentos ampliaram o universo de votos válidos e modificaram a distribuição da votação entre os finalistas.

A dimensão territorial é particularmente reveladora. Minas Gerais foi o único Estado em que houve inversão do candidato mais votado. Flávio Bolsonaro havia vencido o primeiro turno por quase 589 mil votos. No segundo, Lula reverteu a diferença e terminou com aproximadamente 109 mil votos de vantagem.

Presidente ampliou sua vantagem ou reduziu a diferença para Flávio Bolsonaro em 5.385 cidades. Mudanças nas margens eleitorais do Sudeste e do Nordeste foram decisivas para o resultado nacional.

Presidente ampliou sua vantagem ou reduziu a diferença para Flávio Bolsonaro em 5.385 cidades. Mudanças nas margens eleitorais do Sudeste e do Nordeste foram decisivas para o resultado nacional.Ricardo Stuckert

Mas a mudança foi muito mais ampla. O Sudeste respondeu por cerca de 47% da alteração estimada na margem eleitoral entre os candidatos, enquanto o Nordeste representou aproximadamente 31%. São Paulo, onde Flávio continuou vencendo, apresentou a maior contribuição estadual para essa mudança. O mesmo fenômeno ocorreu no Rio de Janeiro, onde a diferença entre os candidatos diminuiu.

Esse é um dos aspectos centrais da eleição. Lula não precisou inverter o resultado em vários Estados para vencer nacionalmente. A redução de suas desvantagens em grandes colégios eleitorais, combinada à ampliação de suas vantagens em outros territórios, foi suficiente para alterar o resultado.

O crescimento também teve abrangência nacional. Lula ampliou sua participação nos votos válidos em todas as unidades da Federação. Em 5.385 municípios, equivalentes a 96,7% das cidades brasileiras, reduziu a desvantagem ou ampliou a vantagem que já possuía. A virada foi resultado de mudanças distribuídas por diferentes regiões, e não de um fenômeno isolado. Do ponto de vista da comunicação política, esses resultados colocam em evidência a importância da mobilização no segundo turno. Em três semanas, as campanhas intensificaram a presença nas ruas, nas redes sociais e na disputa pelo eleitorado que não havia escolhido nenhum dos finalistas.

A eleição de 2026 demonstra que o segundo turno possui uma dinâmica própria. Mesmo em um ambiente de forte polarização, as margens eleitorais podem mudar significativamente em um intervalo curto. A liderança no primeiro turno representa uma vantagem, mas não determina o resultado. A maior lição que fica para o bolsonarismo, que comemorou antes mesmo de vencer o segundo turno, é que o jogo eleitoral só acaba quando termina.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

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