A substituição de Pedro Canedo por Sandes Júnior, ambos do PP de Goiás, provocou reações no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Canedo foi substituído ontem, às vésperas da votação do relatório do deputado
Carlos Sampaio (PSDB-SP) que recomenda a cassação do mandato do presidente do PP, Pedro Corrêa (PE). Com isso, Canedo retornou à suplência para devolver o mandato ao deputado Leonardo Vilela (PSDB-GO).
Sandes Junior negou que tenha assumido o lugar de Canedo porque seu antecessor não estaria votando de acordo com a orientação do partido. Além disso, prometeu votar de acordo com a sua consciência.
O novo integrante do conselho também alegou que não houve manobra política para afastar Canedo, e que a substituição se deu para atender o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que pediu aos secretários que disputarão a reeleição para a Câmara para deixarem o governo.
O deputado
Chico Alencar (PSOL-RJ) protestou, afirmando que o governador deveria reavaliar sua decisão e aguardar o fim dos trabalhos no Conselho de Ética, já que o prazo de desincompabilização é 31 de março, e não janeiro. O deputado lembrou que Canedo era relator do processo que recomendou a cassação do deputado Professor Luizinho (PT-SP). "Está virando hábito aqui neste Conselho que os conselheiros preparam o voto, fazem o relatório, mas na hora do voto são substituídos", reclamou Alencar.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) também reclamou da saída de Canedo e fez um apelo a Sandes Junior. "A saída de Canedo causa dificuldade porque partidariza relações no Conselho de Ética e tem impacto negativo na independência do Conselho. Espero que não tenham sido as duas atitudes corajosas tomadas aqui pelo deputado Canedo que ensejaram sua substituição", disse Delgado.