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PL DO STREAMING

Senado deve votar em março PL do streaming criticado por Wagner Moura

Críticas do ator vencedor do Globo de Ouro expõe divisões sobre regras para plataformas

Congresso em Foco

12/1/2026 | Atualizado às 14:52

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O Senado deve concluir no início de 2026 a tramitação do projeto que cria regras para o funcionamento das plataformas de streaming no Brasil. A proposta está parada desde o fim do ano passado, após a aprovação de um substitutivo pela Câmara, e voltou ao centro do debate político e cultural no Congresso.

No Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) é o autor do projeto de lei 2.331/2022 substitutivo do protocolado na Câmara (8.889/2017). O texto em análise estabelece a cobrança de uma contribuição sobre o faturamento das empresas e impõe contrapartidas voltadas ao fomento do audiovisual nacional.

A ideia é aproximar o Brasil de modelos já adotados em outros países, que exigem investimentos locais das plataformas digitais.

Governo negocia ajustes com o relator no Senado.

Governo negocia ajustes com o relator no Senado.Leonardo Sá/Agência Senado

Governo

O governo negocia ajustes com o relator no Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), para reduzir resistências ao projeto. Um dos principais pontos de divergência envolve a possibilidade de as empresas deduzirem parte da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) ao investir diretamente em produções brasileiras. A Câmara autorizou a dedução de até 60% do valor devido, percentual considerado elevado por representantes do setor.

Parlamentares da base governista avaliam que o mecanismo enfraquece o objetivo central da proposta, ao permitir que os recursos fiquem sob controle das próprias plataformas. O senador Humberto Costa (PT-PE) tem defendido mudanças no modelo aprovado pelos deputados.

Além da tributação, o projeto prevê que ao menos 10% dos catálogos sejam compostos por obras nacionais, com prazo de adaptação de até seis anos. Também estabelece um intervalo mínimo de nove semanas entre a estreia de filmes nos cinemas e sua disponibilização nos serviços de streaming.

A proposta provocou forte mobilização nos bastidores do Congresso. Entidades do audiovisual, produtores independentes e artistas pressionam por regras mais rígidas. Do outro lado, representantes das plataformas e diplomatas dos Estados Unidos atuam para limitar o alcance da regulamentação.

Wagner Moura

O debate ganhou repercussão após críticas públicas do ator Wagner Moura, que classificou a alíquota prevista como insuficiente para sustentar a produção independente. "Tanto o projeto que passou pela Câmara, quanto o que passou pelo Senado são muito ruins, não só para o setor audiovisual brasileiro, da cultura, que gera emprego, renda, um setor econômico importante, como de um modo geral é ruim para o Brasil, para a autoestima, para a autonomia do país", afirmou o ator.

"O segundo ponto mais bizarro é o fato dessas empresas poderem usar parte do dinheiro da taxação para investir em seu próprio conteúdo. Quase não entendo o que isso significa. Esse é um dinheiro que deveria estar indo para o Fundo Setorial do Audiovisual, para fomentar a produção independente brasileira."

Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que o Brasil está entre os maiores mercados globais de streaming, mas ainda adota uma das menores taxas de contribuição. Em países europeus, a cobrança varia conforme o tamanho do mercado e pode chegar a 25%.

O substitutivo aprovado pela Câmara será analisado pelo Senado após o recesso legislativo. A expectativa é que o texto passe por novas alterações antes da votação final. Mesmo entre críticos, há consenso de que o Congresso dificilmente deixará o setor digital fora de qualquer marco regulatório.

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