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DIVISÃO NA DIREITA
Congresso em Foco
19/1/2026 15:04
O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) sugeriu que há um plano em curso para enfraquecer politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e inviabilizar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai para representar a direita na disputa pelo Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a leitura predominante é que a mensagem foi um recado direto a aliados que não embarcaram plenamente na candidatura de Flávio — sobretudo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo interlocutores, Carlos considera que ambos têm se mantido distantes ou ambíguos em relação ao projeto político liderado pelo filho mais velho do ex-presidente.
Tentativa de anulação
Carlos afirmou ainda que há uma tentativa deliberada de "anular" Flávio Bolsonaro como herdeiro político do pai e de desqualificar o apoio explícito dado pelo ex-presidente à sua candidatura. Embora diga não poder confirmar a existência de um acordo formal, sustenta que o padrão de ações se tornou evidente.
As declarações ocorreram no momento em que Flávio Bolsonaro intensificou o discurso público em defesa da união da direita. No sábado (17), dois dias após a transferência de Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", o senador divulgou um vídeo pedindo calma aos apoiadores e afirmando que a convergência do campo conservador ocorrerá "no tempo certo".
No vídeo, Flávio defendeu a construção de um palanque único contra o presidente Lula (PT), liderado por ele, mas reunindo nomes hoje cotados como presidenciáveis ou influentes na direita. Citou Michelle Bolsonaro e os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO).
"Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes?", questionou. "Calma, que isso vai acontecer no tempo certo."
Longe do consenso
Apesar do discurso conciliador, o senador enfrenta resistências internas. Setores do Centrão e aliados mais pragmáticos da direita veem com cautela sua pré-candidatura e demonstram preferência por alternativas como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Jr.
O governador de São Paulo, que chegou a ser tratado como opção presidencial por partidos do Centrão, tem dado apoio considerado tímido a Flávio. Ao mesmo tempo, Romeu Zema se recusa a retirar sua pré-candidatura para compor como vice, e Ratinho Jr. surge como alternativa viável para partidos que buscam um nome menos identificado com o núcleo familiar de Bolsonaro.
Esse cenário tem impacto direto nas articulações partidárias nos estados. O PSD avalia não oferecer palanque a Flávio em redutos estratégicos, como Minas Gerais e Maranhão, e pode recalcular sua rota. O mesmo tipo de cálculo ocorre no União Brasil e no PP, que discutem a formação de uma federação.
A mais recente pesquisa Quaest deu algum fôlego à pré-candidatura de Flávio. No primeiro turno, Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 23% do senador e 9% de Tarcísio. Em um eventual segundo turno, o petista venceria Flávio por 45% a 38%. Já contra Tarcísio, Lula teria 44%, ante 39% do governador.
Mesmo assim, dirigentes do Centrão afirmam que ainda é cedo para medir o potencial eleitoral do senador e cobram demonstrações de viabilidade política e capacidade de ampliar alianças.
"Novo CEO"
A tensão aumentou após Michelle Bolsonaro compartilhar um vídeo em que Tarcísio critica o PT em tom eleitoral e curtir um comentário da esposa do governador afirmando que o Brasil precisa de "um novo CEO". Para aliados de Flávio, o gesto foi interpretado como um aceno à candidatura do governador paulista.
Carlos Bolsonaro reagiu publicando uma imagem do ex-governador João Doria segurando uma revista que o chamava de "CEO de São Paulo", numa crítica indireta a Tarcísio e a setores da direita que, segundo ele, tentam se apresentar como alternativa ao bolsonarismo.
Nos bastidores, aliados afirmam que Michelle poderia almejar a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada por Tarcísio, hipótese negada publicamente pelo governador, que diz priorizar a reeleição em São Paulo.
Flávio também fez uma crítica indireta à madrasta ao afirmar que nunca trabalhou para ser pré-candidato. "Eu nunca costurei, nunca procurei, não rodei o Brasil por isso", disse, após visitar o pai na prisão.
O episódio expõe um racha na direita e a disputa pelo controle do capital político de Jair Bolsonaro. Enquanto Carlos vê uma ofensiva organizada para esvaziar o ex-presidente e seu herdeiro político, Flávio tenta se posicionar como fator de união e pede que seus apoiadores concentrem ataques na esquerda, não em aliados. O futuro político de Carlos também divide a direita. Ele renunciou ao mandato de vereador no Rio em dezembro para poder se candidatar ao Senado por Santa Catarina. Mas uma parte do grupo político no estado rejeita sua candidatura.
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