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Lula estreia 2026 no exterior em fórum cercado por líderes da direita

Primeira viagem internacional do ano leva presidente ao Panamá, onde participa de fórum com chefes de Estado alinhados aos EUA e a Trump.

Congresso em Foco

26/1/2026 9:45

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O presidente Lula começa, nesta terça-feira (27), a primeira viagem internacional de 2026 em um ambiente diplomático complexo, marcado pelo avanço da direita na América Latina e pela influência direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no cenário internacional. O destino é a Cidade do Panamá, onde Lula participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) em parceria com o governo panamenho.

Lula deve viajar menos para o exterior este ano por causa das eleições presidenciais.

Lula deve viajar menos para o exterior este ano por causa das eleições presidenciais.Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress

Será a primeira visita de Lula ao país neste mandato — a anterior ocorreu em 2007, durante o segundo governo — e também a primeira viagem internacional do ano, em um calendário que tende a ser mais seletivo por se tratar de um ano eleitoral. O presidente desembarca no Panamá no fim da tarde de terça-feira e participa, na quarta, da sessão inaugural do fórum, no qual o Brasil é o país convidado de honra. Lula será o segundo a discursar, logo após o presidente panamenho, José Raúl Mulino.

Ambiente político adverso

O encontro reunirá mais de 2.500 lideranças políticas e econômicas e terá forte presença de chefes de Estado identificados com pautas liberais e conservadoras, muitos deles alinhados à Casa Branca. Entre os nomes confirmados estão Mulino, que manteve negociações recentes com Donald Trump sobre o Canal do Panamá, e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, expoente da direita latino-americana que já se referiu a Lula como "bandido" no passado. A expectativa é de que os dois tenham o primeiro contato direto durante o evento.

Também participam o presidente do Equador, Daniel Noboa, o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, empossado em novembro de 2025 e responsável por encerrar uma sequência de governos progressistas no país andino. A principal exceção ao bloco direitista, além de Lula, é a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, de centro-esquerda.

Apesar de não figurar como tema central da viagem, a situação da Venezuela deve surgir nas conversas paralelas. O Panamá adota uma postura mais alinhada aos Estados Unidos, que defendem ações duras contra o governo venezuelano, enquanto o Brasil tem criticado a prisão de Nicolás Maduro pelos EUA e avalia que o país vive hoje um cenário de estabilidade relativa. Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, o tema será tratado com cautela. "Mesmo que haja uma pequena discordância no enfoque ou na declaração, continuamos dialogando com profundidade e tranquilidade", afirmou.

Relação estratégica com o Panamá

Além do fórum, a agenda de Lula inclui uma reunião bilateral com José Raúl Mulino e uma visita ao Canal do Panamá. A relação entre os dois presidentes é descrita pelo Itamaraty como intensa. Desde 2024, Lula e Mulino se encontraram cinco vezes em reuniões bilaterais e à margem de cúpulas do Mercosul. Em agosto de 2025, Mulino esteve no Brasil, visita agora retribuída.

A parceria econômica entre os dois países vive um momento de expansão acelerada. Em 2025, o intercâmbio comercial cresceu 78% e alcançou US$ 1,6 bilhão, impulsionado sobretudo pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados, que saltaram de US$ 300 milhões para US$ 1,6 bilhão. O forte superávit brasileiro levou o Itamaraty a defender a necessidade de equilibrar a balança, incentivando importações de produtos panamenhos.

No setor de defesa, a venda de quatro aeronaves Super Tucano, da Embraer, ao governo panamenho é apontada como um marco da cooperação Sul-Sul e do fortalecimento da presença tecnológica brasileira na região. O Panamá também figura como o sétimo maior destino externo de investimentos brasileiros, com um estoque estimado em US$ 9,5 bilhões.

Durante o fórum, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que estabelece regras de proteção recíproca aos investimentos e busca estimular a circulação de capital produtivo entre os dois países.

Mercosul e integração regional

Outro ponto central da visita é o aprofundamento da relação do Panamá com o Mercosul. Primeiro país da América Central a se associar ao bloco, o Panamá participa do encontro em meio aos avanços do acordo Mercosul–União Europeia e às negociações para a criação de uma área de livre comércio com os países do bloco sul-americano. Para o governo brasileiro, a associação panamenha reforça o peso político e econômico do Mercosul.

A importância logística do país centro-americano também entra no radar. O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam cerca de sete milhões de toneladas de exportações brasileiras por ano. O aeroporto de Tocumen, principal hub aéreo do país, é visto como estratégico para conexões com a América Central, o Caribe e parte da América do Sul.

A viagem ao Panamá marca o início de um ano em que Lula pretende reduzir o ritmo de deslocamentos internacionais. Em 2026, o presidente deve visitar cerca de quatro países, bem menos do que os 16 visitados em 2025.

Em fevereiro, estão previstas viagens à Índia e à Coreia do Sul, com missões comerciais apoiadas pela ApexBrasil. Em abril, Lula deve ir à Alemanha para participar da Feira de Hannover, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. A ausência do presidente em Davos, onde ocorre simultaneamente o Fórum Econômico Mundial, reforça a prioridade dada à integração latino-americana e caribenha.

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