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Câmara de Recife define rito para pedido de impeachment de João Campos

Prefeito sofreu pedido de impeachment após denúncia de mudança em concurso que favoreceu candidato filho de juiz.

Congresso em Foco

30/1/2026 11:04

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A Procuradoria da Câmara Municipal do Recife concluiu o parecer que estabelece quais procedimentos devem ser seguidos na análise do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A solicitação foi apresentada em dezembro de 2025 pelo vereador Eduardo Moura (Novo).

Segundo o entendimento do órgão jurídico do Legislativo municipal, o documento deverá ser lido pelo presidente da Casa, o vereador Romerinho Jatobá (PSB), no dia 3 de fevereiro, quando ocorre a primeira sessão ordinária de 2026. Após a leitura em plenário, caberá aos vereadores decidir se o pedido seguirá tramitando ou será rejeitado.

Câmara do Recife deve votar em 3 de fevereiro se admite pedido de impeachment contra João Campos.

Câmara do Recife deve votar em 3 de fevereiro se admite pedido de impeachment contra João Campos.Antonio Cruz/Agência Brasil

A manifestação da Procuradoria foi finalizada na terça-feira (27).

O pedido de afastamento de João Campos tem como base mudanças no resultado de um concurso público para procurador municipal. Inicialmente, o advogado Marko Venício dos Santos havia sido o único aprovado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcD), mas acabou não sendo nomeado naquele momento.

No lugar dele, foi indicado Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público e de um juiz do Tribunal de Justiça do Pernambuco. Ele havia participado do concurso sem concorrer por cotas, mas pediu reinclusão nas vagas afirmativas depois de receber, dois anos após a inscrição, um diagnóstico de autismo.

Apesar de três procuradoras concursadas terem se manifesado contra a mudança, a procuração foi aceita pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, que ocupa o cargo por indicação do prefeito.

Com a repercussão do caso e críticas públicas, inclusive de entidades como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM) e a Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR), a gestão voltou atrás e nomeou o candidato que havia sido aprovado inicialmente. Ainda assim, o episódio motivou o pedido de impeachment.

À época, a Câmara Municipal havia informado que a solicitação apresentada não atendia aos requisitos na Lei Orgânica do Município e que a Procuradoria do Município estava "fazendo a análise da matéria para que seja definido se haverá tramitação".

Também na terça-feira (27), o Tribunal de Justiça de Pernambuco negou um pedido apresentado por Lucas Vieira Silva para derrubar a nomeação do advogado inicialmente aprovado, que tomou posse no dia 6 de janeiro.

Procedimentos definidos

No requerimento protocolado na Câmara, Eduardo Moura sustenta que João Campos teria cometido crime de responsabilidade e praticado atos de improbidade administrativa ao permitir a alteração no resultado do concurso. Caso a tramitação avance, as supostas irregularidades serão apuradas no âmbito do Legislativo, e o prefeito pode ser afastado durante o andamento do processo.

A Procuradoria da Casa precisou definir os ritos porque havia divergências entre o que está previsto na Lei Orgânica de Recife, no regimento interno da Câmara e no Decreto-lei 201, de 1967, que trata dos crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores.

Entre as dúvidas estavam o número de votos necessários para autorizar o prosseguimento da denúncia e se a decisão de arquivamento poderia ser tomada apenas pelo presidente da Câmara ou dependeria do plenário.

Com o parecer, a votação marcada para 3 de fevereiro deverá ser nominal. Para que o pedido seja aceito, será necessário o apoio da maioria simples entre os 37 vereadores. Se não houver votos suficientes, o requerimento será arquivado.

Caso a denúncia seja admitida, será formada uma comissão processante composta por vereadores sorteados, responsável por conduzir o procedimento.

O parecer também determinou que Eduardo Moura, autor do pedido, não poderá votar nem integrar a comissão. Nesse caso, o primeiro suplente do Novo, George Bastos, será convocado para assumir essas funções.

Leia a íntegra do pedido de impeachment.

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