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ROTINA NA PRISÃO

Caminhadas, fisioterapia e visitas: Bolsonaro evita leitura na Papudinha

Relatório da PM do DF enviado ao STF detalha a rotina do ex-presidente e mostra que ele não leu livros nem trabalhou para reduzir a pena; leia a íntegra.

Congresso em Foco

1/2/2026 | Atualizado às 11:16

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Um relatório enviado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) ao STF detalha a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da PM, conhecido como Papudinha, onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses por participação na trama golpista.

O documento mostra que, entre os dias 15 e 27 de janeiro, Bolsonaro realizou caminhadas diárias, passou por sessões de fisioterapia e recebeu acompanhamento médico frequente. No período, porém, não há registro de leitura de livros nem de exercício de atividade laboral — duas formas previstas em lei para a redução da pena.

Veja a íntegra do relatório.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal e da execução da pena, e reúne registros administrativos e operacionais dos primeiros dias de custódia do ex-presidente.

Sinalização de acesso para o complexo penitenciário onde Bolsonaro cumpre pena em Brasília.

Sinalização de acesso para o complexo penitenciário onde Bolsonaro cumpre pena em Brasília.Gabriela Biló/Folhapress

Transferência e início da custódia

Bolsonaro foi transferido para a Papudinha no dia 15 de janeiro e chegou à unidade às 18h06. Na mesma noite, recebeu a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e passou por atendimento médico. Desde então, segundo a PM-DF, o acompanhamento de saúde tem sido constante.

Em alguns dias, o ex-presidente recebeu até cinco atendimentos médicos, feitos por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e por médicos particulares. As avaliações incluem, principalmente, medição de pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação, além de exames clínicos de rotina.

Fisioterapia e exercícios físicos

O relatório informa ainda que Bolsonaro realiza sessões de fisioterapia em dias alternados, conforme autorização do STF. A medida foi prevista na decisão de Alexandre de Moraes que determinou a transferência para a unidade, levando em conta o histórico de problemas de saúde do ex-presidente, agravados pela facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.

A única atividade física registrada no período foi a caminhada, realizada dentro da própria unidade, em horários variados.

Sem remição de pena

Apesar de estar autorizado a participar do programa de remição de pena por leitura, Bolsonaro não leu livros nem produziu resenhas nos primeiros 13 dias analisados. O programa, regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), permite a redução de quatro dias da pena para cada obra lida e avaliada.

Também não há registro de atividade laboral, outra possibilidade prevista na Lei de Execução Penal para abatimento do tempo de prisão.

Visitas e assistência religiosa

Durante o período, Bolsonaro recebeu visitas de familiares, entre eles Michelle Bolsonaro e o filho Carlos Bolsonaro, além de encontros com advogados. O relatório aponta ainda duas visitas de assistência religiosa, feitas pelo pastor Thiago Manzoni, que também é deputado distrital.

Como é a cela

Segundo o STF, Bolsonaro ocupa uma cela semelhante à usada por outros condenados no mesmo processo, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques. O espaço comporta até quatro pessoas, mas está sendo utilizado exclusivamente pelo ex-presidente.

O 19º Batalhão da PM conta com oito celas no formato de alojamentos coletivos, equipadas com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. As instalações foram reformadas em 2020 e permitem acesso a itens básicos, como produtos de higiene, roupas, ventilação mecânica e televisão, de acordo com as regras da unidade.

Aliados de Bolsonaro têm pressionado o STF para que ele passe a cumprir pena em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde. O relatório da PM-DF, no entanto, indica que o ex-presidente recebe acompanhamento médico permanente e que sua rotina segue os parâmetros definidos pela Justiça.

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