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CASO MASTER
Congresso em Foco
2/2/2026 8:50
O Grupo Fictor protocolou no domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), após enfrentar uma crise de liquidez associada ao episódio envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. O pedido envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest e abrange dívidas estimadas em cerca de R$ 4 bilhões.
Em comunicado, a empresa afirmou que a medida busca "equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros", sem deságio aos credores. O grupo solicitou tutela de urgência para suspender execuções, bloqueios e cobranças por 180 dias, período no qual pretende negociar um plano de recuperação e manter suas atividades.
Segundo a Fictor, a crise foi desencadeada após a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master. Em 17 de novembro do ano passado, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo anunciou a intenção de comprar a instituição financeira por R$ 3 bilhões, operação que estava condicionada à aprovação dos órgãos reguladores. No dia seguinte, porém, o Banco Central decretou a liquidação do banco, e a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e outros executivos.
De acordo com a empresa, a decisão do BC, anunciada um dia após o comunicado da proposta, provocou especulações e uma onda de notícias negativas que afetaram sua reputação e comprometeram a liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest. O grupo afirma que, até então, não havia registrado atrasos em seus compromissos financeiros.
Diante do agravamento do cenário, a companhia adotou medidas de reestruturação, como a redução da estrutura física e do número de funcionários. Segundo a Fictor, as ações foram tomadas antes do pedido de recuperação judicial para garantir o pagamento das verbas rescisórias e proteger os direitos trabalhistas.
Bloqueio de ativos
O pedido de recuperação ocorre em meio a decisões judiciais desfavoráveis. No fim de janeiro, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos do grupo, após constatar o descumprimento de garantias exigidas em contrato relacionado a operações de cartões de crédito empresariais.
A decisão, proferida pela desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, apontou indícios de esvaziamento das contas da empresa poucos dias após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master. Diante do risco de prejuízo financeiro de difícil reparação, a magistrada autorizou o arresto cautelar e fixou multa diária de ao menos R$ 5 milhões em caso de descumprimento.
Perfil do grupo
Fundado em 2007, o Grupo Fictor é um conglomerado de participações com atuação nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e serviços financeiros. No pedido apresentado à Justiça, a empresa informou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias operacionais, que devem manter suas atividades e contratos normalmente.
O grupo ganhou projeção nacional ao anunciar a tentativa de compra do Banco Master e também por atuar como patrocinador da base do Palmeiras. A Justiça paulista ainda deverá analisar o pedido e decidir sobre a concessão das medidas solicitadas.
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