Entrar
Cadastro
Entrar
Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO
Congresso em Foco
28/2/2026 | Atualizado às 18:52
A ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada neste sábado (28), deixou ao menos 201 mortos e 747 feridos, segundo a Sociedade Crescente Vermelho, organização humanitária iraniana. Os ataques atingiram 24 das 31 províncias do país, divisões administrativas equivalentes aos estados brasileiros, no que já é descrito como a maior ação militar direta contra o território iraniano em décadas.
Entre os alvos atingidos está uma escola de meninas na cidade de Minab, no sul do país. Segundo a agência estatal Irna, pelo menos 57 estudantes morreram e 60 ficaram feridas após o bombardeio direto ao prédio, ocorrido durante o horário de aula. Autoridades locais indicam que o número de mortos pode chegar a 85, com dezenas de pessoas ainda sob os escombros.
O governador da província confirmou que a escola foi atingida diretamente. Nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou o bombardeio como um "crime flagrante" e cobrou ação imediata da comunidade internacional. "O Conselho de Segurança da ONU deve agir agora, no exercício de sua principal responsabilidade de acordo com a Carta", afirmou.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu cessar-fogo imediato. Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva.
Ataque ocorre após rodada de negociações nucleares
Os bombardeios ocorreram dois dias depois de uma rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre os limites do programa nuclear iraniano. O Irã sustenta que sua tecnologia nuclear tem fins pacíficos. Estados Unidos e Israel, porém, afirmam que o desenvolvimento representa ameaça estratégica e pode ter finalidade militar.
Ao justificar a operação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva teve como objetivo eliminar uma ameaça de décadas e impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Segundo ele, a ação também buscou proteger interesses americanos.
Trump declarou ainda que forças de segurança iranianas deveriam depor armas e sugeriu que a população derrube o regime após o fim dos bombardeios.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou a operação como preventiva e afirmou que o complexo do líder supremo iraniano foi destruído, além de comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do setor nuclear terem sido mortos.
Irã reage com mísseis e amplia risco regional
Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra países que abrigam bases militares americanas, incluindo Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. A Guarda Revolucionária Islâmica confirmou os ataques e prometeu continuidade das ações.
Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas cidades israelenses diante do risco de novos mísseis. Bases militares americanas na região entraram em estado de alerta.
Explosões foram registradas em diferentes cidades iranianas, incluindo Teerã, provocando pânico e deslocamento de moradores. Analistas internacionais avaliam que a troca direta de ataques representa uma ruptura do padrão anterior de confronto indireto, marcado por disputas por meio de aliados regionais, e eleva significativamente o risco de guerra regional aberta.
Khamenei está morto? Informações contraditórias
No centro da crise está a incerteza sobre o destino do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989 e autoridade máxima do regime.
Israel afirmou que Khamenei foi morto na operação. Um alto funcionário israelense disse à Reuters que o corpo do líder teria sido encontrado. Segundo a Fox News, autoridades americanas acreditam que Khamenei e entre cinco e dez líderes importantes do país foram mortos no ataque inicial.
Trump declarou à NBC News: "Acreditamos que essa seja uma notícia correta".
Já a mídia estatal iraniana negou a morte. As agências Tasnim e Mehr informaram que Khamenei está "firme e inabalável no comando da situação". Uma fonte próxima ao gabinete do líder afirmou que ele segue "comandando o campo de batalha".
Até o momento, não há confirmação independente sobre a morte do líder supremo.
Quem é Ali Khamenei
Ali Hosseini Khamenei, nascido em 1939 em Mashhad, é líder supremo da República Islâmica do Irã desde 1989, quando assumiu o cargo após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador do regime instaurado pela Revolução Islâmica de 1979.
Antes disso, foi presidente do país entre 1981 e 1989, período marcado pela Guerra Irã-Iraque e por repressões internas.
Como líder supremo, cargo conhecido como Rahbar, concentra poderes superiores aos do presidente eleito. Cabe a ele nomear chefes das Forças Armadas, comandar a Guarda Revolucionária, supervisionar o Judiciário, influenciar o Conselho dos Guardiães (que filtra candidatos às eleições) e definir diretrizes estratégicas de política externa e nuclear.
Sob sua liderança, o Irã ampliou sua influência regional por meio do apoio a grupos aliados, como o Hezbollah, no Líbano, e milícias no Iraque e no Iêmen. Internamente, enfrentou sucessivas ondas de protestos reprimidas com violência.
Caso sua morte seja confirmada, o país poderá enfrentar a maior crise institucional desde 1979, com impactos diretos na sucessão do comando político-religioso e no equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.
Brasil condena ofensiva e pede respeito ao direito internacional
O governo brasileiro condenou oficialmente os ataques e manifestou "grave preocupação" com a rápida escalada das tensões.
Em nota divulgada neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que os bombardeios ocorreram em meio a negociações diplomáticas e reiterou que o diálogo é "o único caminho viável para a paz".
"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", diz o comunicado.
O Itamaraty informou que as representações diplomáticas brasileiras acompanham a situação e prestam assistência à comunidade brasileira na região. O embaixador do Brasil em Teerã mantém contato direto com cidadãos residentes no país para fornecer orientações de segurança.
Impacto global
A ofensiva ocorre semanas após repressão violenta a protestos internos no Irã e em meio a negociações delicadas sobre o programa nuclear do país.
Especialistas alertam que a continuidade dos ataques pode comprometer a estabilidade do Oriente Médio, afetar a segurança energética global e produzir reflexos diretos na economia internacional.
Tags
LEIA MAIS
GUERRA NO ORIENTE MÉDIO
GUERRA ANUNCIADA