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"Extremismo não acabou e vai disputar eleições no Brasil", diz Lula

Em encontro na Espanha, presidente cita condenações por trama golpista e diz que extremismo segue vivo. Petista critica "senhores da guerra", Trump e ONU.

Congresso em Foco

18/4/2026 | Atualizado às 10:30

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O presidente Lula afirmou neste sábado (18), em Barcelona, que o Brasil derrotou uma tentativa de golpe, mas alertou que o extremismo político segue ativo e voltará a disputar eleições. Em tom eleitoral, o petista citou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e a prisão de militares envolvidos na trama.

"No meu Brasil, nós acabamos de derrotar o extremismo, temos um ex-presidente preso condenado a 27 anos de cadeia, temos quatro generais quatro estrelas presos porque tentaram dar o golpe, mas o extremismo não acabou, ele continua vivo e vai disputar eleição outra vez", disse Lula durante a ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, na Espanha.

Lula na abertura da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, na Espanha. Ao seu lado, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sanchéz.

Lula na abertura da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, na Espanha. Ao seu lado, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sanchéz.Ricardo Stuckert/PR

Sem mencionar Bolsonaro nominalmente, o presidente afirmou que o enfrentamento ao extremismo é um tema interno. "Esse é um problema nosso, do povo brasileiro, esse a gente lida com as nossas forças e as nossas armas", declarou. Pesquisas divulgadas recentemente projetam uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente preso.

Críticas a Trump e às guerras

No plano internacional, Lula fez críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar conflitos recentes e o uso de redes sociais por líderes mundiais.

"Não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra", afirmou. Segundo ele, decisões militares têm sido tomadas sem consulta à Organização das Nações Unidas (ONU).

Impacto econômico dos conflitos

O presidente também destacou os efeitos das guerras na economia global e no cotidiano da população. Ele citou o impacto direto sobre preços de alimentos e combustíveis.

"A ONU não pode ficar silenciosa e ver o que está acontecendo no mundo. O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer", disse.

Para Lula, o cenário atual reforça a necessidade de evitar novos conflitos. "O mundo não está precisando de guerras", afirmou.

Defesa da regulação digital

Lula também defendeu a regulação das plataformas digitais em nível global, apontando riscos para a democracia.

"Controlar as plataformas digitais, impor regras democráticas, é uma questão mundial", disse. Ele afirmou que a ONU poderia ter papel central nesse processo.

"A ONU é um instrumento valioso, se ela funcionar, e precisa funcionar para garantir que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro", declarou.

O presidente também criticou a interferência externa em processos eleitorais. "Não pode um presidente da República interferir na eleição de outro, pedir voto para outro, cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial?", questionou.

Multilateralismo e papel da ONU

Ao longo do discurso, Lula reforçou críticas ao enfraquecimento do multilateralismo e à atuação das grandes potências. Segundo ele, a ONU precisa recuperar protagonismo para mediar conflitos e estabelecer regras comuns entre os países.

"O Brasil não quer guerra com ninguém, quer paz", afirmou, ao defender que a cooperação internacional é essencial para garantir estabilidade e desenvolvimento.

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