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Eleições
Congresso em Foco
11/6/2026 17:26
Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), um dos primeiros parlamentares a declarar apoio à campanha presidencial de Ronaldo Caiado e articulador do pré-candidato junto a lideranças evangélicas, expôs os motivos de sua adesão ao grupo político do pré-candidato do PSD.
Para Otoni, Caiado corresponde ao perfil do eleitor conservador melhor do que Jair ou Flávio Bolsonaro. "O Ronaldo Caiado é o que eu diria do suprassumo da direita brasileira. Bolsonaro nunca foi. Bolsonaro já votou em Lula, por exemplo. Já votou no PT. Bolsonaro nunca foi liberal economicamente", disse.
No entendimento do deputado, o posicionamento ideológico de Bolsonaro ao longo da última década resulta não de uma visão política de longo prazo, mas de uma adaptação às lideranças que o influenciaram em diferentes momentos.
"Ele tomou um banho de Olavo de Carvalho, um banho de Paulo Guedes e um banho de Malafaia. Mas ele nunca foi isso. Foi um personagem que ele criou e ia embora."
Otoni de Paula afirmou que comparação entre as pré-candidaturas de Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro chega a ser "uma covardia" quando se leva em conta a trajetória política dos dois.
"O tamanho político de Caiado é como se Caiado fosse um aluno de faculdade fazendo uma prova com um menino do jardim de infância. Flávio nunca foi gestor de nada. Flávio nunca trabalhou, nunca teve uma carteira assinada. Ele não sabe o que é gerir nada. O único legado dele é ser filho de quem ele é."
Diferenças retóricas
Parlamentar em segundo mandato, Otoni de Paula integrou a base aliada de Jair Bolsonaro. Os dois se afastaram gradualmente em meio a desentendimentos iniciados em 2022, culminando em uma ruptura definitiva nas eleições municipais de 2024. No ano seguinte, o deputado aderiu ao time de Caiado.
Um dos principais pontos de atrito entre Otoni e o grupo político de Bolsonaro dizia respeito à forma como a direita deveria se posicionar diante do governo Lula. Em 2024, na condição de vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o congressista defendeu um relacionamento institucional com o Executivo, rebatendo divergências ao mesmo tempo em que reconhecia pautas em comum.
No outro lado, Caiado é crítico radical das gestões petistas, e incorpora um discurso duro de oposição. O deputado diz endossar a postura. "Ele tem que continuar batendo em Lula porque cresceu politicamente assim. Caiado é um direitista raiz, UDN [União Democrática Nacional]. Então, acho que ele está certo. Ele tem que continuar em cima de Lula, batendo em Lula", declarou.
Otoni avalia que não há contradição em ele próprio adotar uma retórica apaziguadora, muitas vezes oposta à de Caiado.
"Eu não estou pedindo o Ronaldo em casamento. Portanto, não é porque ele é meu candidato à presidência que eu tenho que concordar com tudo o que ele pensa".
"Evangélico fake"
Além de se portarem de forma distinta em relação ao governo Lula, Otoni de Paula e Ronaldo Caiado são ligados a grupos religiosos diferentes. O deputado é pastor evangélico, enquanto o ex-governador é católico romano. Já o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, se declara evangélico e tem acesso a diversas lideranças do segmento.
Nesse sentido, Otoni disse que prefere ficar ao lado de Caiado, a quem considera um "católico verdadeiro", do que de Flávio, chamado por ele de "evangélico fake".
"As últimas vezes que Flávio esteve em uma igreja evangélica no Rio de Janeiro foi comigo, na eleição de 2018. Eu andava com ele. Quando ele ganha as eleições e vira senador da República, ele não foi visto em nenhuma igreja evangélica mais."
O congressista também ironizou a proximidade entre a retomada da retórica religiosa de Flávio e o período eleitoral. "De repente, ele se desviou, como diz a nossa linguagem, o nosso evangéliquês. Ele se desviou e agora está voltando para Jesus. Só lamento que ele está voltando para Jesus na época de uma nova eleição", comentou.
Segundo o deputado, a situação se assemelha às cartas bíblicas de São Paulo que alertam sobre os "falsos apóstolos". "Entre você abraçar alguém que não é da fé, mas é sincero, e estar com alguém que se diz da fé, mas não é verdadeiro, fique com quem não é da fé, mas é sincero, até porque caráter não tem religião", sustentou.
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