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MUNDO

Geopolítica da Copa: Governos de direita prevalecem entre os 48 países

Levantamento com times classificados mostra predomínio de governos conservadores, ainda que com presença relevante da esquerda.

Congresso em Foco

13/6/2026 19:00

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A Copa do Mundo de 2026 é a maior da história dentro de campo. Pela primeira vez, 48 seleções disputam o torneio. A ampliação promovida pela Fifa também permite outra leitura: o Mundial se transformou em uma fotografia política do planeta.

Levantamento feito pelo Congresso em Foco com os chefes de governo dos países classificados mostra que a direita chega à Copa em vantagem. Dos 48 participantes, 25 são governados por líderes de direita ou centro-direita.

Outros 13 estão sob governos de esquerda ou centro-esquerda. Os 10 restantes são comandados por líderes de centro, governos técnicos, monarquias ou regimes com classificação ideológica menos direta.

Os números não são uma medida oficial. Trata-se de uma classificação editorial, feita a partir do partido, da coalizão, do programa de governo, da trajetória do líder e do tipo de regime de cada país.

Confira a distribuição mundial:

Torneio em um mundo polarizado

A bola rola na América do Norte, mas o torneio carrega as tensões de um mundo mais dividido, nacionalista e polarizado. Por trás das camisas, hinos e bandeiras, há democracias consolidadas, monarquias, regimes autoritários, governos de transição, coalizões frágeis e lideranças populistas.

A direita e a centro-direita formam o bloco mais numeroso entre os governos representados na Copa. Entram nesse campo desde países com representantes moderados como e Alemanha e Portugal a lideranças mais radicais como ocorre nos Estados Unidos e Argentina.

A esquerda e a centro-esquerda também têm presença expressiva. Brasil, México, Colômbia, Espanha, Uruguai, África do Sul e Inglaterra estão entre os classificados governados por partidos trabalhistas, social-democratas, progressistas ou de esquerda latino-americana.

Veja a comparação:

Sede tripla, três campos

A própria sede tripla da Copa reflete a multiplicidade de campos. O México é governado por Claudia Sheinbaum, de esquerda. O Canadá tem Mark Carney, liberal de perfil centrista. Os Estados Unidos são comandados por Donald Trump, principal nome da direita global.

O torneio ocorre, portanto, em um continente que reúne três respostas distintas à crise das democracias contemporâneas: progressismo social, tecnocracia de centro e populismo nacionalista.

América Latina dividida

Na América Latina, o contraste também é evidente. Lula, Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai) representam diferentes versões da esquerda regional. Do outro lado, Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Daniel Noboa (Equador) e José Raúl Mulino (Panamá) expressam a força atual da direita no continente.

A Copa, que sempre alimentou sentimentos nacionais, agora também espelha uma região em disputa entre projetos de Estado, mercado, segurança pública e proteção social.

Nem todos no eixo esquerda-direita

Nem todos os países, porém, cabem bem no eixo clássico esquerda-direita. Em monarquias, regimes autoritários, governos técnicos ou administrações transitórias, a ideologia do líder pesa menos do que a estrutura do poder. Nesses casos, como ocorre no Irã, Iraque e Arábia Saudita, a classificação deve ser entendida como aproximação pessoal de seus representantes, não como definição institucional fechada.

Existem ainda casos nos quais, apesar da proximidade de seus governos a determinado campo ideológico, a dicotomia esquerda-direita não ocupa os grandes debates no país.

É o caso, por exemplo, da Escócia, onde as discussões tratam da conduta de afastamento ou integração ao Reino Unido; da Bósnia e Herzegovina, com disputa interna de influência étnica entre lideranças sérvias-bósnias e bosníacas; ou da Turquia, onde o principal debate é sobre a maior ou menor aproximação institucional aos princípios islâmicos.

Futebol e política

A Copa costuma vender a imagem de uma trégua universal. Durante algumas semanas, governos, torcedores e jogadores parecem reunidos sob a mesma linguagem: a do futebol. Mas o Mundial nunca esteve isolado da política.

Regimes usam vitórias para projetar força. Democracias buscam na seleção uma imagem de unidade. Líderes populistas tentam se associar à emoção das arquibancadas. Monarquias e autocracias investem no esporte para ampliar prestígio internacional.

Historicamente, o torneio também é recorrentemente utilizado como instrumento de promoção de recados geopolíticos. O caso mais emblemático foi em 1974, quando a seleção da União Soviética, para expressar repúdio ao regime militar de Augusto Pinochet, se recusou a jogar contra o Chile no Estádio Nacional de Santiago.

Na edição atual, o fenômeno se repete. Em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump vetou a entrada de turistas iranianos: em jogos em estádios americanos, a seleção persa corre o risco de entrar em campo sem torcida.

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