Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Desmatamento
Congresso em Foco
12/6/2026 16:08
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a contestar a proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. Nesta quinta-feira (11), o petista afirmou que os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a medida não correspondem à realidade, especialmente no que diz respeito aos índices de desmatamento no Brasil.
Segundo Lula, esta seria a segunda vez que Washington utiliza informações equivocadas para embasar restrições comerciais contra o país. O presidente relembrou o episódio do ano passado, quando os Estados Unidos anunciaram tarifas sobre centenas de produtos brasileiros alegando um suposto desequilíbrio na balança comercial.
"Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que eles tiveram um superávit muito alto em 15 anos, 417 bilhões de dólares, como tiveram o ano passado, quase 40 bilhões de dólares entre bens e serviços. E agora vêm com esse negócio da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a desmatamento zero até 2030."
Lula ressaltou que a meta de zerar o desmatamento não decorre de imposições externas, mas de uma decisão do próprio governo brasileiro. Segundo ele, a iniciativa reflete o compromisso do país com a preservação ambiental e com o combate às mudanças climáticas.
A declaração foi feita durante visita à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), onde foram apresentados os dados mais recentes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). De acordo com o levantamento, o desmatamento na Amazônia caiu 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. No Cerrado, a redução foi de 12,2% no período.
A questão ambiental aparece entre os pontos analisados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na investigação que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O órgão cita o desmatamento entre as "práticas irrazoáveis" do Brasil.
Para o governo brasileiro, porém, os dados mais recentes reforçam que o país tem avançado na redução da devastação ambiental e que não há justificativa para a adoção de novas barreiras comerciais com base nesse argumento.
"Nós vamos pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior, e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos."