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VITÓRIA DA DIREITA
Congresso em Foco
24/6/2026 9:07
A conservadora Keiko Fujimori ficou a um passo de vencer as eleições presidenciais do Peru depois de abrir, segundo a autoridade eleitoral peruana, uma vantagem que já não pode mais ser revertida matematicamente no segundo turno contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez.
Com quase todos os votos apurados, Keiko aparecia com 50,11% dos votos válidos, contra 49,88% de Sánchez, de acordo com dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A diferença era de 43.386 votos, enquanto restavam pouco mais de 40 mil votos a serem contabilizados, margem insuficiente para permitir a virada.
A vitória, no entanto, ainda não foi proclamada oficialmente porque a apuração não foi concluída. A autoridade eleitoral deve anunciar o resultado final após o encerramento da contagem e da análise de votos contestados e recursos apresentados pelas campanhas.
Sánchez contesta votos do exterior
A reta final da apuração foi marcada por acusações de Roberto Sánchez contra o processo eleitoral. Na terça-feira (23), o candidato afirmou haver uma "fraude em curso", sem apresentar provas, e disse que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori caso sejam mantidos os votos de peruanos que vivem no exterior.
Sánchez pediu a anulação de milhares de votos depositados fora do país, que favoreceram majoritariamente a candidata de direita. A solicitação, no entanto, foi rejeitada pelo júri eleitoral peruano.
A disputa apertada atrasou a divulgação do resultado final. Além da pequena diferença entre os candidatos, o processo foi afetado pela revisão de votos contestados e pela chegada tardia das atas do exterior.
Guinada à direita
Caso a vitória seja confirmada, Keiko Fujimori chegará à Presidência em sua quarta tentativa de comandar o Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela disputou eleições anteriores sem sucesso e, desta vez, adotou uma campanha centrada na promessa de ordem, segurança e estabilidade.
A provável eleição de Keiko reforça uma guinada à direita em países da América Latina, em meio ao crescimento da preocupação dos eleitores com criminalidade, extorsões e assassinatos. O movimento ocorre dias depois da vitória do direitista Abelardo De La Espriella na Colômbia.
Com a vitória no Peru, a direita passa a comandar sete dos 12 países na região. Os outros seis são: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai.
Já Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela estão classificados no campo da esquerda ou centro-esquerda.
A comparação histórica mostra a mudança de ambiente, como mostrou o Congresso em Foco. Em 2010, no auge da onda rosa, a esquerda predominava amplamente, com dez países, contra dois da direita. Em 2020, no período recente de maior presença da direita dentro do recorte do mapa, governos de direita ou centro-direita apareciam à frente em seis países, enquanto quatro estavam à esquerda e dois eram classificados como centro.
Heranças
Keiko Fujimori deverá herdar um país marcado por forte instabilidade política. O Peru teve oito presidentes em oito anos, nenhum deles conseguiu completar integralmente o mandato e parte dos ex-chefes de Estado enfrenta processos ou cumpre prisão.
O país também convive com profundas desigualdades econômicas entre Lima e as regiões rurais, além de um quadro de desconfiança generalizada em relação aos políticos. Esse ambiente foi decisivo para uma campanha em que a promessa de autoridade e segurança ganhou peso diante do avanço da violência.
Durante a disputa, Keiko também se reaproximou do legado político de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru nos anos 1990 e cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos. A candidata, que em eleições anteriores tentou se distanciar do fujimorismo histórico, apresentou-se agora como herdeira de uma liderança forte, capaz de restaurar a ordem no país.
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