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PAUTA
Congresso em Foco
30/6/2026 | Atualizado às 19:45
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu nesta terça-feira (30) às críticas recebidas pela condução da PEC pelo fim da escala 6x1 e afirmou que não aceitará pressões para acelerar a votação da proposta por motivos eleitorais.
Durante discurso no plenário, Alcolumbre disse que autoridades têm utilizado o tema para pressionar o Senado e afirmou que o debate não pode ser transformado em ferramenta de campanha.
"Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso", afirmou.
Ninguém contra trabalhadores
Segundo Alcolumbre, o argumento de que parlamentares seriam contrários aos trabalhadores caso não votem rapidamente a proposta representa uma forma de constrangimento político.
"Não seria um artifício de dizer para o outro: 'Estou te ameaçando, porque se você não votar, você vai ficar contra 37 milhões de trabalhadores que querem um dia a mais de descanso?'"
Na avaliação do presidente do Senado, nenhum parlamentar pretende se posicionar contra a melhoria das condições de trabalho.
"Sabe qual é o congressista que vai ficar contra 37 milhões de brasileiros na véspera da eleição? Nenhum."
Críticas a manifestações
Sem citar nomes, Alcolumbre afirmou que uma autoridade chegou a defender publicamente pressão sobre a Presidência do Senado para pautar a proposta e mencionou manifestações com o slogan "Fora Alcolumbre".
"O problema é que está na boca da autoridade dizendo que tem que pressionar o presidente Davi Alcolumbre. Isso é uma ameaça em cima de um trio elétrico."
Segundo ele, quem adota esse tipo de discurso estaria mais preocupado com as eleições do que com os trabalhadores.
"Se é 'Fora Alcolumbre', essa autoridade não está pensando nos trabalhadores. Talvez esteja pensando na eleição."
Atacado pelos dois lados
Alcolumbre também afirmou que sua postura de buscar equilíbrio entre governo e oposição tem lhe rendido críticas de ambos os espectros políticos.
"Assim que é bom. Quando você tenta fazer o certo, naturalmente você vai ser atacado pelos dois lados."
Segundo ele, escolher apenas uma agenda seria mais confortável, mas incompatível com a função que exerce.
"Talvez fosse muito mais cômodo eu escolher um lado. Tratar só da agenda da esquerda. Ou escolher o outro lado e tratar só da agenda da direita."
Para o senador, seu papel é buscar equilíbrio institucional em um momento de forte polarização.
"O que estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF pessoal, é tentar equilibrar um país dividido."
Alcolumbre encerrou afirmando que continuará enfrentando críticas "com coragem e resiliência", independentemente da origem.
"Todo dia de manhã eu sou ofendido por um lado. À tarde eu sou ofendido pelo outro lado. E à noite eu sou ofendido pelos dois lados."
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