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INTERNACIONAL
Congresso em Foco
13/7/2026 14:11
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "pirataria" proposta anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cobrar taxa sobre cargas que cruzarem o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita nesta segunda-feira (13), durante visita aos laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP).
Publicação feita por Trump afirma que os Estados Unidos passarão a atuar como "guardiões" do Estreito de Ormuz e que, por esse serviço, cobrarão uma remuneração equivalente a 20% sobre todas as cargas transportadas pela região.
Ao comentar a proposta, Lula afirmou que a medida seria incompatível com o papel desempenhado pelos Estados Unidos na ordem internacional. "Antigamente isso se chamava pirataria."
Em seguida, o presidente endureceu o tom. "Um Estado importante como os Estados Unidos, que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode agora virar pirata."
Guerra e impacto no Brasil
Lula também responsabilizou os Estados Unidos pelo conflito envolvendo o Irã e afirmou que os reflexos da guerra já chegam ao bolso dos brasileiros.
"Não foi o Brasil que inventou essa guerra. O que está acontecendo com essa guerra? O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, do tomate, da cebola, porque tornou o combustível mais caro."
O presidente contestou ainda as justificativas americanas para o conflito, afirmando que o Irã não possuía um programa de armas nucleares. "Posso dizer que é mentira. Eu estive em 2010 no Irã, assinei um documento de que o país iria enriquecer urânio apenas para fins científicos."
Na sequência, comparou o episódio ao argumento utilizado pelos Estados Unidos para invadir o Iraque em 2003. "Da mesma forma que inventaram que Saddam Hussein tinha armas químicas. Cadê essas armas químicas?"
Tributação sobre o petróleo
Durante o discurso, Lula afirmou que o governo adotou medidas para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo sobre os consumidores brasileiros.
Segundo ele, o Brasil passou a cobrar uma tributação de 12% sobre o petróleo exportado pelo país, de forma a compensar os efeitos da guerra sobre os preços internos.
"O Brasil exporta quase um milhão de barris por dia de petróleo. Nós aumentamos em 12% o imposto sobre esse petróleo para subsidiar os brasileiros, para que o preço do feijão não suba por causa da guerra."
Defesa dos biocombustíveis
Ao encerrar o discurso, Lula voltou a defender a transição energética e afirmou que o Brasil pode liderar a produção mundial de combustíveis renováveis.
Segundo ele, o país tem capacidade de produzir biocombustíveis a partir de matérias-primas como soja, dendê, macaúba, mamona e pinhão-manso, reduzindo gradualmente a dependência do petróleo.
O presidente encerrou retomando a crítica à proposta anunciada por Trump.
"Essa coisa do Estreito de Ormuz é muito delicada. Os Estados Unidos provocam uma guerra e agora começam a cobrar pela segurança dos navios. Não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório. É alguém aproveitando a desgraça para ganhar dinheiro às custas da desgraça."
Entenda
Lula se referia a uma publicação feita por Trump em que o presidente americano afirma que os Estados Unidos passarão a atuar como "guardiões" do Estreito de Ormuz e que, por esse serviço, cobrarão uma remuneração equivalente a 20% sobre todas as cargas transportadas pela região.
Na publicação, Trump escreveu:
"O Estreito de Ormuz está aberto e continuará aberto, com ou sem o Irã. (...) Os Estados Unidos passarão, a partir de agora, a ser conhecidos como 'O Guardião do Estreito de Ormuz' e, por uma questão de justiça, serão ressarcidos, à taxa de 20% sobre toda a carga transportada, por quaisquer custos necessários para garantir a segurança dessa região tão instável do mundo."
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