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Relações exteriores

"EUA se incomoda por Brasil não ter se curvado", diz Mauro Vieira

Chanceler também classificou as críticas de Marco Rubio a Lula como "inaceitáveis" e "ofensivas ao povo brasileiro".

Congresso em Foco

16/7/2026 15:43

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quinta-feira (16) a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O chanceler classificou a medida como unilateral e sem justificativa.

Em declaração oficial, Vieira afirmou que a ação tem motivação política e representa uma tentativa de pressão sobre o Brasil. "Não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros", declarou. "Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações."

Vieira destacou que o Brasil vinha tentando negociar com os Estados Unidos desde antes da adoção das tarifas, com mais de 30 reuniões em diferentes níveis. Segundo ele, houve diálogo direto inclusive entre os presidentes e autoridades de alto escalão, o que reforça a disposição brasileira para uma solução negociada.

"Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas. Somente com Jameson Greer e com Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes. O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes do tarifaço original anunciado em 2 de abril de 2025."

Vieira também reagiu às declarações recentes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que criticam o presidente Lula. "São inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro", afirmou. O ministro acusou o governo norte-americano de agir de forma "grosseira e arrogante" ao tratar o Brasil.

Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que "Lula colocou seu ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso".

O chanceler apresentou números para rebater a justificativa das tarifas. Segundo ele, os Estados Unidos acumulam superávit de US$ 424 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, destacou que a maior parte das importações americanas entra no país com baixa ou nenhuma tributação. "76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto", afirmou.

Sobre o Pix, Vieira afirmou que se trata de uma infraestrutura pública aberta a todas as instituições financeiras. Já em relação ao meio ambiente, destacou a redução recente do desmatamento no país. "Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade.", disse.

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