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MUNDO
Congresso em Foco
27/7/2026 16:41
Os governadores das províncias argentinas de Buenos Aires e La Rioja, Axel Kicillof e Ricardo Quintela, manifestaram-se nas redes sociais em repúdio ao discurso do presidente Javier Milei durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25). Na ocasião, o presidente argentino dirigiu críticas e ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Além de condenar as declarações de Milei, Kicillof informou ter conversado, em nome do Partido Justicialista, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para afirmar que a fala do presidente argentino não representa o sentimento da população do país.
"Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, afirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional", escreveu Axel Kicillof em seu perfil no X, ao publicar uma foto ao lado do presidente Lula.
O governador de Buenos Aires acrescentou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e advertiu que os ataques às autoridades brasileiras colocam "em risco investimentos, exportações, milhares de postos de trabalho e os interesses da Argentina, tudo para sustentar um candidato por pedido de Trump".
Ricardo Quintela, por sua vez, marcou o perfil de Lula para manifestar "solidariedade e respeito" após o discurso de Milei. "O Brasil é um país irmão, um parceiro estratégico e parte fundamental de nossa história latino-americana. As diferenças políticas nunca podem justificar o agravo pessoal nem a deterioração de uma relação tão importante para nossos povos", publicou.
Na avaliação do governador de La Rioja, Javier Milei demonstra "profundo desequilíbrio emocional para conduzir os destinos do país, (...) mas de maneira alguma representam o sentir de milhões de argentinas e argentinos" em relação ao povo, às instituições e à Presidência do Brasil.
"Quem ocupa responsabilidades públicas deve cuidar dos vínculos entre nossas nações e estar à altura da representação que nos confia a cidadania", acrescentou.
Axel Kicillof e Ricardo Quintela integram o Partido Justicialista, principal força de oposição ao governo Milei. A legenda lidera a coalizão peronista na Argentina, movimento nacionalista e trabalhista historicamente alinhado a partidos e governos de esquerda na América Latina.
Crise diplomática
Durante discurso na convenção nacional do PL, que homologou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, Javier Milei associou governos de esquerda ao avanço da corrupção e da violência na América Latina. Ao mencionar o presidente Lula, chamou-o de "presidiário" e "ladrão".
O presidente argentino também criticou a decisão judicial que o impediu de visitar Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. Milei classificou a determinação como perseguição judicial e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca".
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos. Em nota, o Itamaraty repudiou as declarações de Milei. "Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", ressaltou.
Milei reagiu às críticas em entrevista a uma rádio argentina. Sem apresentar provas, acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha internacional "anti-argentina".
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