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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
7/8/2026 17:13
O anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na quarta-feira (5), deu impulso temporário à candidatura de Arthur Lira (PP-AL) ao Senado. O ex-presidente da Câmara, que antes disputava o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto contra Renan Calheiros (MDB-AL), passou, naquele momento, a ser o nome mais forte em Alagoas.
O cenário mudou completamente na noite seguinte. Em transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro e seu coordenador de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), listaram seus palanques em cada Estado. Ao chegar a Alagoas, um nome inesperado entrou em campo: Marina Candia, esposa do ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC).
Filiada ao PSDB e, até então, candidata com vitória dada como certa à Câmara dos Deputados, a ex-primeira-dama de Maceió chega à disputa com alta popularidade e alianças influentes, com potencial para empurrar Arthur Lira novamente à competição pela segunda vaga.
Transferência de liderança
Até a noite de terça-feira, Alfredo Gaspar ocupava uma posição confortável em sua pré-campanha ao Senado. A pesquisa mais recente em Alagoas, do instituto Paraná Pesquisas publicada no início de julho, o colocava em primeiro lugar, com 40,4% das intenções de voto, seguido por Arthur Lira, com 39,8%, e Renan Calheiros, com 36,4%.
A popularidade do deputado não estava vinculada a lideranças locais. Ex-secretário de Segurança Pública na gestão de Renan Filho, Gaspar rompeu com a família Calheiros em 2022 e concorreu à Câmara pelo União Brasil. Uma vez deputado, ampliou sua visibilidade ao se aproximar da família Bolsonaro, aliança que lhe garantiu a posição de relator da CPMI do INSS em 2025.
A priori, Arthur Lira seria o beneficiário imediato da entrada de Alfredo Gaspar no pleito nacional. Naquele momento, sua candidatura passou a ser a única contar com o apoio da família Bolsonaro, abrindo margem para transferência de votos e, consequentemente, para assumir a liderança da disputa.
Ao anunciar o nome de Marina Candia, porém, Flávio Bolsonaro sinalizou sua preferência por ela ao eleitor. A inclusão de Lira na coligação foi citada apenas como cumprimento de um acordo firmado pela família, enquanto a ex-primeira-dama apareceu como referência de candidata. "Junto com o JHC, [ela] tem feito um grande trabalho na área social, tem muita visibilidade, faz um trabalho muito bacana", apontou o presidenciável.
Arcabouço eleitoral
Os elogios de Flávio não são a única carta à disposição da ex-primeira-dama. Marina Candia possui maior alcance nas redes sociais do que os demais candidatos, com 505 mil seguidores no Instagram, contra 342 mil de Arthur Lira e 339 mil de Renan.
O alcance elevado de seu perfil se soma a uma estética de fácil aceitação pelo eleitor. A maioria de suas publicações traz fotos em hospitais, instituições filantrópicas, creches populares e projetos sociais, quase sempre acompanhada de crianças ou do marido. Marina também aparece em ambientes religiosos, rezando e apresentando citações bíblicas.
Além do apoio nacional da família Bolsonaro, a candidata tem ao seu lado o nome mais forte nas pesquisas para o governo local. No mesmo levantamento que indicou a liderança de Alfredo Gaspar ao Senado, JHC ocupou o primeiro lugar tanto no cenário espontâneo quanto no estimulado, além de aparecer como preferido em um segundo turno contra Renan Filho.
Ciente da popularidade do marido, a ex-primeira-dama incorporou a sigla dele ao nome eleitoral, apresentando-se como "Marina JHC".
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