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Lula diz que Trump reconheceu que tarifaço foi baseado em "mentira"

Em ato de campanha em Belo Horizonte, Lula relatou telefonema de 1h20 com Trump, que tratou de tarifas e outros temas.

Congresso em Foco

22/8/2026 | Atualizado às 10:31

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O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (21) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu que as tarifas impostas a produtos brasileiros foram baseadas em "mentira". A declaração foi dada durante ato de campanha em Belo Horizonte (MG), horas depois de os dois conversarem por telefone.

A ligação durou cerca de uma hora e 20 minutos, segundo o Palácio do Planalto, e ocorreu em tom "amistoso e cordial". Os presidentes discutiram as tarifas, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais. A conversa também abriu caminho para uma nova rodada de negociações comerciais entre os dois países.

Lula em ato de campanha em Belo Horizonte.

Lula em ato de campanha em Belo Horizonte.Allan Calisto /Fotoarena/Folhapress

Contestação por telefone

Ao relatar o telefonema durante o lançamento da candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais, Lula disse ter contestado diretamente as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das sobretaxas.

"A taxação que vocês fizeram ao Brasil é uma taxação não só irreal, como ela foi feita com base na mentira. Você disse que tinha desmatamento no Brasil e no Brasil nós temos o menor desmatamento da história. E você disse que tinha trabalho escravo e nós combatemos o trabalho escravo. Então é inverdade", relatou Lula.

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Segundo o presidente brasileiro, Trump reconheceu os argumentos apresentados e determinou que integrantes do governo americano retomassem as negociações com o Brasil. "Ele reconheceu e hoje ele já pediu ao secretário do Comércio ligar para o nosso e já marcaram uma reunião", disse.

O Palácio do Planalto, no entanto, não informou em sua versão oficial da conversa que Trump tenha admitido que as tarifas foram baseadas em "mentira". Segundo o governo brasileiro, Lula classificou como "infundadas" as alegações utilizadas pelos Estados Unidos para justificar as medidas comerciais.

Após o telefonema, o governo americano entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para retomar as negociações. O ministro Márcio Elias Rosa e representantes do Itamaraty devem se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A data ainda será definida.

"Não queremos interferência no Brasil"

O combate ao crime organizado também entrou na conversa. Lula disse ter defendido a cooperação entre os dois países, mas ressaltou que o Brasil não aceitará interferência externa em seu território.

"Ô, Trump, se você quer combater o crime organizado, vamos combater o crime organizado. Agora, nós queremos trabalhar junto. O que nós não queremos é interferência no Brasil", relatou.

Em maio, o governo Trump anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida passou a valer em 5 de junho e foi contestada pelo governo brasileiro, que considera que o país dispõe de instrumentos legais para combater as facções sem classificá-las como grupos terroristas.

Durante o telefonema, Lula voltou a defender uma atuação conjunta contra organizações criminosas, mas reforçou a posição brasileira contrária à classificação adotada por Washington.

A questão da soberania também ganhou espaço na campanha eleitoral. Lula tem acusado os Estados Unidos de tentarem interferir nas eleições brasileiras. Seu principal adversário na disputa pela Presidência é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliado político de Trump.

Lula sugere encontro de Trump com Xi e Putin

Lula afirmou ainda ter sugerido a Trump um encontro com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, para discutir alternativas diplomáticas aos conflitos internacionais.

Segundo o relato do presidente, a ideia seria aproveitar a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, para reunir os três líderes nos Estados Unidos.

"Trump, em setembro tem a reunião da ONU. Pô, convida o Xi Jinping e convida o Putin na tua casa", contou Lula.

Em tom informal, o presidente brasileiro sugeriu que os líderes se reunissem para conversar e "tomar um trago", expressão que atribuiu ao ex-vice-presidente José Alencar.

"Toma um trago, como diria o Zé Alencar, toma um golo, e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz. O mundo está precisando de paz, o mundo não está precisando de guerra, o mundo está precisando de amor, não está precisando de ódio", declarou.

Lula disse estar "de saco cheio" das guerras e das "bravatas" internacionais. O presidente afirmou ter conversado recentemente com Xi e Putin e defendeu maior atuação diplomática das grandes potências para buscar o fim dos conflitos.

Na ligação desta sexta, Lula e Trump também trataram das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Minerais estratégicos

Durante o ato em Belo Horizonte, Lula também voltou a defender que os minerais estratégicos extraídos no Brasil sejam processados no próprio país. O presidente disse que o Brasil está aberto a parcerias com Estados Unidos, China e países europeus, desde que a exploração resulte em investimentos e agregação de valor em território nacional.

"Nós queremos trabalhar junto com vocês. Nós queremos repartir com o mundo os minerais, mas ele tem que ser transformado no Brasil e colocado o valor agregado dentro do Brasil", declarou.

Lula disse que o país não pretende se limitar à exportação de matérias-primas para depois importar produtos de maior valor tecnológico.

"A gente não quer vender minério para vocês e comprar chip. A gente não quer vender minério e comprar bateria para carro elétrico. Não, a gente quer fazer a bateria aqui, quer fazer o chip daqui para gerar emprego de qualidade para o nosso povo", afirmou.

A defesa da industrialização dos minerais estratégicos também integra a campanha de Patrus Ananias em Minas Gerais, estado que concentra parte importante das reservas brasileiras de terras raras.

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