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Congresso em Foco
27/8/2026 9:15
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil desenvolva armas nucleares como forma de ampliar seu peso internacional e ser mais respeitado por outras nações. A declaração foi dada nesta quarta-feira (26), durante sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo.
Ao justificar a posição, Renan afirmou que as principais potências mundiais contam com esse tipo de armamento e relacionou a capacidade nuclear ao poder de dissuasão e à influência internacional.
"As nações mais poderosas do mundo dispõem de armas nucleares. E elas se fazem respeitadas por causa disso."
Em outro momento da entrevista, o candidato afirmou que, se o Brasil quiser se posicionar entre as maiores potências globais, terá de discutir a possibilidade de possuir bombas atômicas.
Renan ponderou, porém, que o país não teria condições de desenvolver esse tipo de armamento nos próximos dez anos.
Saída do tratado
Questionado se a proposta exigiria a retirada do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), Renan respondeu que sim, "necessariamente, e no momento certo".
O Brasil é signatário do TNP, acordo que estabelece compromissos para impedir a disseminação de armas nucleares entre países que não eram reconhecidos como potências nucleares quando o tratado foi firmado.
Durante a sabatina, os jornalistas lembraram que a Coreia do Norte deixou o acordo em 2003 e posteriormente desenvolveu armamento nuclear. Renan usou o país como exemplo para sustentar seu argumento sobre capacidade de dissuasão.
"Pelo menos a Coreia do Norte, por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente de maneira que a Venezuela não foi."
A comparação foi feita em referência à Venezuela e à intervenção dos Estados Unidos no país em janeiro deste ano.
Constituição prevê uso pacífico
Além das obrigações internacionais assumidas pelo Brasil, a Constituição estabelece que toda atividade nuclear realizada em território nacional deve ter fins pacíficos e ser submetida à aprovação do Congresso Nacional.
O país também integra o Tratado de Tlatelolco, que estabelece uma zona livre de armas nucleares na América Latina e no Caribe e proíbe, entre outras medidas, a fabricação, aquisição e posse desse tipo de armamento pelos países participantes.
Dessa forma, uma eventual política destinada ao desenvolvimento de armas nucleares exigiria mudanças na atual posição jurídica e diplomática adotada pelo Brasil sobre o tema.
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