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Eleições
Congresso em Foco
29/8/2026 23:15
O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, participou neste sábado (29) da sabatina da TV Globo. Entre os destaques das propostas apresentadas estão a redução da estrutura do governo federal, a substituição de servidores por inteligência artificial, a revisão de cargos comissionados e contratos, a tributação mais pesada das bets e o uso de drones no combate à violência contra a mulher.
Cury voltou a apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização política e colocou o equilíbrio das contas públicas entre as prioridades de um eventual governo.
A sabatina colocou o presidenciável diante de uma das maiores vitrines de sua campanha até agora e obrigou o candidato, estreante em uma eleição presidencial, a explicar como pretende transformar seu discurso em medidas concretas.
Corte de gastos
Logo na primeira pergunta, o candidato afirmou que a dívida pública atingiu patamares preocupantes e defendeu maior responsabilidade na administração das despesas federais. Quando questionado sobre a forma de colocar essa ideia em prática, Cury sugeriu substituir novas contratações de servidores públicos por inteligência artificial.
"Se tivermos responsabilidade de gerir de maneira adequada e inteligente toda a máquina pública e não contratássemos mais colaboradores, entrássemos com inteligência artificial e digitalizássemos toda a máquina pública, nós certamente conseguiríamos economizar o suficiente."
Defensor da criação de novas estruturas governamentais em setores que considera prioritários, Augusto Cury estimou ser possível cortar entre seis e 10 ministérios. Sua tese é que determinadas áreas administrativas poderiam ser fundidas ou eliminadas enquanto setores ligados à transformação tecnológica e à segurança receberiam maior atenção.
A inteligência artificial ganhou papel central na participação de Augusto Cury. O candidato defendeu uma ampla digitalização da administração pública e argumentou que novas tecnologias poderiam ser utilizadas para tornar serviços mais eficientes e reduzir a contratação de novos servidores.
Para aumentar a receita, Cury afirmou que elevaria a cobrança sobre o setor para algo próximo de 50% e chegou a citar 52% como uma tributação que considera razoável.
Violência contra a mulher
O candidato defendeu o uso de drones e recursos tecnológicos para ajudar no enfrentamento ao feminicídio. A proposta integra uma estratégia mais ampla do candidato de aplicar inteligência artificial e novas tecnologias a problemas de segurança pública.
Segundo a proposta, mulheres ameaçadas poderiam acionar o sistema pelo celular, permitindo que a ocorrência fosse georreferenciada e encaminhada à delegacia mais próxima para acelerar a resposta das forças de segurança.
Sobre segurança pública, o presidenciável voltou a citar Ronaldo Caiado, adversário na disputa presidencial, como um nome que consideraria para comandar uma eventual pasta de Segurança Pública.
Relações exteriores
Ao criticar o que definiu como uma falha do Itamaraty em "vender o Brasil", o candidato afirmou que a intenção não é necessariamente aumentar despesas com novas contratações, mas treinar embaixadores e funcionários para ampliar a divulgação do Brasil, especialmente nas áreas do agronegócio, da bioenergia, da tecnologia e da produção de conhecimento.
Cury propõe no plano de governo que sejam instalados ao menos dez influenciadores digitais em países com até 50 milhões de habitantes e pelo menos 20 em países maiores ou considerados estratégicos.
Telemedicina
O candidato também destacou proposta de implementar telemedicina no SUS. Segundo Augusto Cury, uma estrutura robusta poderia desafogar unidades presenciais do SUS e reduzir o tempo necessário para que pacientes tenham uma primeira avaliação médica, principalmente durante a madrugada e em regiões periféricas.
"Nós sabemos hoje que a telemedicina, se for robusta e inteligente, com inteligência artificial, com médicos capazes, oferecendo atendimento 24 horas por dia, você pode atender uma criança com diarreia e vômito de madrugada na periferia", afirmou.
Questionado sobre os dados que embasam a afirmação, o presidenciável rebateu as críticas: "Eu sou médico, vocês esqueceram disso?". "Eu sou médico, eu vivo a medicina, trabalho com médicos, dou treinamento para médicos", acrescentou Cury ao defender a proposta.
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