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DISCURSO EM NOVA YORK

Da "chantagem" do tarifaço à soberania: as mensagens de Lula na ONU

Presidente critica paralisia das Nações Unidas e tarifas, cobra contrapartidas por minerais e reage a pressões sobre o Pix.

Congresso em Foco

22/9/2026 | Atualizado às 13:36

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O presidente Lula foi à tribuna da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) com mensagens voltadas para dentro e fora do Brasil. Cobrou reação das Nações Unidas às guerras, criticou interferências externas, rejeitou pressões sobre recursos naturais e o Pix e levou a eleição de 4 de outubro ao centro do discurso. Em diferentes trechos, os Estados Unidos apareceram como referência, embora Donald Trump não tenha sido citado nominalmente.

A crítica mais dura veio logo na abertura. Lula disse que a ONU atravessa seu momento mais crítico desde 2003, quando discursou pela primeira vez como presidente, e que a organização está "falhando" em sua missão de impedir guerras. Responsabilizou ainda o imobilismo do Conselho de Segurança e retomou uma antiga crítica brasileira ao poder de veto das grandes potências.

Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU.

Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU.Ricardo Stuckert/PR

"A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa", declarou. Mais adiante, acrescentou: "As concessões à lei do mais forte já passaram dos limites".

O "quintal" e os porta-aviões

Ao falar da América Latina, Lula mencionou a proximidade da região com "a maior potência militar do mundo", apontou o avanço de "tentações hegemônicas" e emendou: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém".

Na sequência, criticou a "ingerência externa em processos eleitorais" e a divisão do mundo em zonas de influência. Também classificou como anacrônicas as "investidas neocoloniais por recursos estratégicos".

A referência militar reapareceu no trecho sobre crime organizado. Lula disse que o país não pretende transferir a outros a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras.

"Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime", afirmou. Logo depois, disse ter apresentado pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos uma proposta de cooperação contra a lavagem de dinheiro de criminosos brasileiros no exterior.

Tarifas e terras raras

No comércio, Lula afirmou que a Organização Mundial do Comércio "respira por aparelhos" e condenou o uso de tarifas como instrumento de pressão.

"Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas", disse. Mais adiante, mencionou o "tarifaço contra nossa economia" e afirmou que o Brasil deverá, ainda assim, bater novo recorde de exportações.

O presidente também dedicou parte do discurso aos minerais críticos e às terras raras necessárias à transição energética. "Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro", afirmou.

Segundo Lula, o acesso a esses recursos terá como contrapartida geração de valor no Brasil, transferência de tecnologia e abastecimento de setores estratégicos nacionais.

Big techs, bets e Pix

As grandes empresas de tecnologia também entraram no discurso. Lula defendeu a regulação da inteligência artificial e das big techs e acusou "tecno-oligarcas" de tentar criar um ambiente digital "sem regras nem transparência".

No mesmo trecho, atacou as plataformas de apostas, dizendo que as bets transformam "o vício em lucro", e defendeu o sistema brasileiro de pagamentos.

"Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix", afirmou.

Democracia x negacionismo

Lula reservou o encerramento para a eleição de 4 de outubro. Disse que os brasileiros não irão apenas escolher presidente, governadores e parlamentares.

"Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão", afirmou.

Segundo Lula, o pleito será "transparente e competitivo", mas há quem abuse da liberdade de expressão "para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país". O presidente também mencionou redes de desinformação e defendeu o sistema eleitoral brasileiro.

"A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho", encerrou.

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