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Eleições
Congresso em Foco
4/10/2026 15:39
A ampla vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) entre os brasileiros que votaram no Japão neste domingo (4) não é um fenômeno novo. Ao contrário: o país asiático é, historicamente, um dos terrenos eleitorais mais difíceis para o PT no exterior.
Segundo levantamento publicado pelo Congresso em Foco, Flávio recebeu 71,59% dos votos válidos contabilizados, enquanto Lula ficou com 15,20%.
O padrão atravessa partidos e gerações. Fernando Henrique Cardoso foi o mais votado no Japão em 1994 e 1998; José Serra, em 2002; Geraldo Alckmin, em 2006; e Serra novamente, em 2010. Em 2006, por exemplo, Alckmin teve 60,19% dos votos, contra 22,22% de Lula. Em 2014, no segundo turno, Aécio Neves obteve 19.328 votos no Japão, contra apenas 2.265 de Dilma Rousseff.
Com Jair Bolsonaro, a distância aumentou. Em 2018, ele recebeu cerca de 90% dos votos válidos no segundo turno no Japão contra Fernando Haddad.
Quatro anos depois, no primeiro turno de 2022, Bolsonaro teve 72,20% dos votos válidos, diante de 13,49% de Lula. Levantamento da BBC publicado naquele ano observou que candidatos de direita ou centro-direita vinham vencendo entre os brasileiros residentes no Japão desde 1989, e que o PT nunca havia liderado a votação presidencial no país.
O dado chama atenção também pelos laços demográficos entre os dois países. O Brasil abriga hoje cerca de 2,7 milhões de nipo-brasileiros, a maior comunidade nikkei fora do Japão, fortemente presente em São Paulo e no Paraná.
A história dessa comunidade deixou marcas especialmente na capital paulista, com a Liberdade como seu símbolo mais conhecido, no interior e noroeste de São Paulo e em cidades do norte paranaense.
Isso não significa, naturalmente, que os votos dos brasileiros residentes no Japão possam ser automaticamente projetados sobre os descendentes de japoneses que vivem no Brasil.
Mas há uma ponte entre os dois grupos: pesquisadores que estudam o eleitorado brasileiro no Japão apontam que parcela importante dos adultos que vivem no arquipélago é originária justamente de Estados como São Paulo e Paraná.
E há ainda uma curiosidade histórica. Foi Lula quem, em 2006, nos auspícios das comemorações do centenário da imigração japonesa (2008), nomeou Massami Uyeda ministro do STJ. Descendente de japoneses, Uyeda seria lembrado posteriormente pelo governo japonês como o primeiro descendente de japoneses no mundo a integrar um tribunal superior.
Mais de vinte anos depois, porém, as urnas japonesas continuam mostrando que, eleitoralmente, a histórica ponte Brasil-Japão tem sido bem mais difícil de atravessar para o PT.