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Congresso em Foco
20/10/2026 12:48
Uma pesquisa realizada pelas empresas PiniOn e Smart Research, com base na análise de mais de 2.500 recibos reais de pedidos de delivery coletados na cidade de São Paulo entre setembro de 2025 e setembro de 2026, aponta que restaurantes passaram a arcar com a maior parte dos descontos oferecidos pelas plataformas 99Food e Keeta. Segundo o levantamento, a parcela dos cupons financiada pelos estabelecimentos aumentou desde o início das operações das empresas na cidade.
Os dados indicam que, em setembro de 2026, os restaurantes chegaram a responder por 82% do valor dos descontos na 99Food e por 68,7% na Keeta. A mudança representa uma inversão em relação ao início das operações, quando, conforme a pesquisa, as próprias plataformas financiavam a maior parte das promoções.
Restaurantes assumem maior parte dos custos
Na 99Food, o levantamento aponta que até 82% do desconto concedido ao consumidor em setembro foi custeado pelo restaurante, enquanto a plataforma arcou com os 18% restantes.
Em um pedido médio de R$ 72, com desconto de R$ 26,98, a parcela atribuída ao estabelecimento chegou a R$ 22,06. Já a contribuição da plataforma foi de R$ 4,92.
Na Keeta, a participação dos restaurantes também foi majoritária. Em setembro, os estabelecimentos financiaram até 68,7% dos descontos. Em um pedido de R$ 88, com abatimento de R$ 37,49, o restaurante arcou com R$ 25,75, enquanto a plataforma contribuiu com R$ 11,74.
A pesquisa também identificou um aumento na proporção de pedidos em que o desconto foi financiado exclusivamente pelo estabelecimento. Na 99Food, esse percentual passou de 7,5% no início da operação para até 55,6% em setembro. Na Keeta, a participação subiu de 4,4% para 37,3%.
Em sentido contrário, diminuiu a proporção de pedidos em que a plataforma financiou sozinha a promoção. Na 99Food, o índice caiu de 56,3% para 11,1%. Na Keeta, recuou de 45,6% para 22,5%.
Segundo os dados apresentados pelas empresas responsáveis pelo levantamento, a mudança na divisão dos custos pode pressionar as margens dos estabelecimentos, especialmente quando os descontos reduzem a receita obtida com os pedidos.
Debate sobre regras para os descontos
A divisão dos custos das promoções é alvo de reclamações de restaurantes desde a expansão dessas plataformas de delivery no Brasil. Estabelecimentos relatam problemas com descontos aplicados sem autorização ou associados a cláusulas de adesão automática nos contratos.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também já abordou os efeitos dos subsídios no mercado de delivery. Conforme o material citado na pesquisa, uma nota técnica e um estudo divulgados em junho registraram preocupações relacionadas à sustentabilidade financeira dos estabelecimentos.
Entre as medidas regulatórias examinadas em outros países estão a proibição de obrigar restaurantes a cofinanciar descontos e campanhas, a exigência de aviso prévio de sete dias para promoções e a vedação de penalidades contra estabelecimentos que decidam não participar dessas ações.
Essas medidas são apresentadas como possibilidades de regulação, e não como regras que já estejam necessariamente em vigor no Brasil.
Experiências internacionais
A pesquisa também relaciona o cenário brasileiro a disputas envolvendo plataformas de delivery em outros mercados.
Na China, o regulador antitruste SAMR abriu uma investigação sobre a concorrência entre plataformas durante uma guerra de preços. Segundo o material que embasa o levantamento, a Meituan, controladora da Keeta, reconheceu que subsídios prolongados poderiam distorcer o mercado. O texto menciona ainda o fechamento de 1,61 milhão de restaurantes no país no primeiro semestre de 2025.
Em Hong Kong, a Comissão da Concorrência investigou a Keeta por cláusulas de exclusividade e restrições de preços. A empresa teria alterado os termos contratuais e formalizado compromissos com a autoridade em 2026.
O material também afirma que, após consolidar sua posição no mercado, a plataforma elevou as comissões para 30% e reduziu em 35% a remuneração dos entregadores. Esses dados exigem contextualização sobre o período, o mercado e as condições contratuais a que se referem.
iFood leva questionamento ao Cade
No Brasil, o iFood protocolou uma representação no Cade solicitando a abertura de processo administrativo contra a Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, por práticas predatórias no mercado brasileiro.
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