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Pesquisa
Congresso em Foco
24/10/2026 12:11
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 50,3% dos votos válidos, contra 49,7% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa do Instituto Colectta encomendada pelo Brazil Economy e divulgada neste sábado (24). A diferença de apenas 0,6 ponto percentual configura empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na intenção de voto estimulada, que inclui votos brancos, nulos e indecisos, Lula registra 46,5%, enquanto Flávio tem 46%. Outros 4,4% pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum candidato. Os que não sabem ou não responderam somam 3,1%.
O levantamento ouviu presencialmente 3 mil eleitores em 101 municípios das 27 unidades da Federação, na sexta-feira (23), e tem nível de confiança de 95%.
Apesar do equilíbrio nas intenções de voto, os entrevistados demonstram expectativas diferentes sobre o resultado da eleição. Para 50,3%, Flávio Bolsonaro será o próximo presidente da República, enquanto 39,7% acreditam na reeleição de Lula. Outros 9,7% não souberam responder.
Entre os eleitores do senador, 89,3% acreditam na vitória de Flávio. Já entre os apoiadores de Lula, 76,1% apostam na reeleição do presidente, mas 13,9% consideram que o adversário vencerá.
"Por enquanto, a diferença entre os candidatos é estatisticamente insuficiente para apontar um favorito", afirmou Rafael Adib, CEO do Instituto Colectta. Segundo ele, o resultado evidencia que intenção de voto e expectativa de vitória não necessariamente caminham juntas.
Quase 95% não pretendem mudar o voto
A pesquisa revela que a disputa chega à reta final com as preferências praticamente consolidadas. Entre os entrevistados que escolheram um dos candidatos, 94,8% afirmam que seu voto é definitivo. Apenas 4,9% admitem mudar de escolha até domingo (25).
O índice de convicção é semelhante nas duas campanhas: 94,8% entre os eleitores de Lula e 94,9% entre os de Flávio.
A possibilidade de mudança é maior entre os jovens de 16 a 24 anos. Nessa faixa, 10,8% dos apoiadores de Flávio admitem rever o voto, contra 7,3% dos eleitores de Lula.
Outro dado mostra que a identificação com o candidato é o principal motivo da escolha para 64,7% dos entrevistados. Já 22,1% dizem votar principalmente para impedir a vitória do adversário.
O voto motivado pela rejeição é mais frequente entre os apoiadores de Flávio: 26,3% afirmam escolher o senador para evitar a reeleição de Lula. Entre os eleitores do presidente, 18% dizem votar para impedir a vitória de Flávio.
Com tão poucos eleitores dispostos a mudar de candidato, a mobilização das campanhas pode ganhar importância. Segundo o levantamento, 92,6% dos entrevistados afirmam que certamente comparecerão às urnas.
Flávio atrai mais eleitores de candidatos derrotados
Os dois presidenciáveis preservam a maior parte dos votos recebidos no primeiro turno. Entre aqueles que escolheram Lula, 97,1% pretendem repetir o voto. No eleitorado de Flávio, a fidelidade chega a 96,4%.
Entre os eleitores de candidatos derrotados, porém, Flávio apresenta vantagem numérica na transferência de votos.
Dos que votaram em Augusto Cury, 37,5% declaram apoio ao senador, contra 33,4% a Lula. Entre os eleitores de Renan Santos, os percentuais são de 40,9% e 30,4%, respectivamente. Já entre os apoiadores de Ronaldo Caiado, Flávio registra 35,9%, ante 30,7% do presidente.
O cenário se inverte entre os que não compareceram às urnas no primeiro turno. Nesse grupo, Lula alcança 51,8% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 34,3%.
Os dados indicam que a capacidade de levar novos eleitores às urnas pode influenciar o resultado de uma disputa tão apertada.
Avaliação do governo divide eleitorado
A aprovação do governo Lula chega a 47%, enquanto 49,7% desaprovam a maneira como o presidente administra o país.
A percepção sobre a proximidade de Lula com os problemas cotidianos também revela dificuldades para o petista. Para 49,4% dos entrevistados, o presidente esteve distante ou muito distante das preocupações da população. Outros 34,4% o consideram próximo ou muito próximo.
Essa avaliação tem peso especialmente entre os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
Nesse grupo, quando há percepção de distanciamento, 55,8% declaram voto em Flávio e apenas 13,2% em Lula. Entre os que consideram o presidente próximo de suas dificuldades, a preferência se inverte: 60,5% apoiam Lula, contra 16,9% que escolhem Flávio.
O levantamento também mostra que 49,2% dos entrevistados consideram que Lula falou predominantemente sobre assuntos distantes de sua realidade.
Apesar das críticas, o Bolsa Família continua sendo a ação mais lembrada espontaneamente do governo, citado por 24,6% dos entrevistados. O Pé-de-Meia aparece com 7,8%, seguido pelo Minha Casa, Minha Vida, com 5,2%.
Segurança e saúde lideram preocupações
A pesquisa também investigou quais problemas os brasileiros consideram mais graves.
A segurança pública lidera as respostas espontâneas, mencionada por 17,9% dos entrevistados, seguida pela saúde, com 16,6%, corrupção, com 12,5%, e economia, com 9,4%.
As prioridades variam conforme a preferência presidencial. Entre os que apontam a economia como principal problema, 74,4% declaram voto em Flávio, contra 18,9% em Lula. O senador também lidera entre aqueles que mencionam a corrupção, com 70,9%, ante 21,5% do presidente.
Lula, por sua vez, apresenta vantagem entre os entrevistados que consideram a saúde o maior problema do país, com 57,5%, contra 32,7% de Flávio.
A divisão também aparece na confiança nas instituições. Enquanto 67,5% dos eleitores de Lula dizem confiar muito ou razoavelmente na Justiça Eleitoral, o percentual cai para 40,1% entre os apoiadores de Flávio.
Para Rafael Adib, o levantamento mostra que, além de uma disputa equilibrada, o próximo presidente encontrará um eleitorado dividido na avaliação da economia, do governo e das instituições.
Registro no TSE: BR-05601/2026.
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