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Eleições
Congresso em Foco
27/10/2026 12:28
Quando Guilherme Cortez (Psol-SP) concedeu entrevista exclusiva ao Congresso em Foco três dias após o primeiro turno, Lula (PT) havia acabado de sofrer um duro revés eleitoral e se movimentava para mudar o cenário.
A campanha petista discutia como reorganizar sua estratégia para reagir, mas o deputado federal recém-eleito já defendia a receita da virada. Cortez propôs mobilizar quem havia ficado em casa, falar de problemas concretos da população e transformar as redes sociais em instrumento político.
As declarações ganham outra dimensão quando revisitada depois da eleição. No último dia 7, Cortez não tinha como saber qual seria o resultado das urnas no dia 25. Ainda assim, demonstrava confiança. "Tenho plena convicção de que Lula pode ganhar", disse, mas apontou necessidade de reinventar a campanha.
"Nossa campanha cometeu um erro de não conseguir mobilizar, motivar as pessoas a saírem de casa para votar na gente por uma série de motivos. Se a gente resolve isso, e eu acho que temos plenas condições de fazer isso acontecer, podemos ganhar a eleição."
O primeiro sinal dessa mudança estava no próprio local da entrevista. Eleito em São Paulo, Cortez estava em Brasília, na sede da campanha de Lula, participando das discussões sobre os caminhos para o segundo turno. Não era mais apenas um parlamentar analisando de fora os erros cometidos no primeiro turno. Passava a fazer parte da mobilização que tentaria corrigi-los.
A partir dali, o deputado também começou a visitar universidades federais pelo país em busca justamente de um público considerado fundamental para a reação: os estudantes. A ideia era trazer essa juventude para dentro do "exército" de mobilização eleitoral.
Cortez também defendia que a campanha não poderia continuar conversando apenas com quem já estava convencido. Era necessário olhar para fora da bolha, recuperar eleitores que não haviam comparecido às urnas e buscar pessoas que tinham escolhido outros candidatos no primeiro turno.
O desafio, como definiu o deputado eleito, não era apenas ideológico. Passava pelo cotidiano: trabalho, renda, transporte, custo de vida e pelas dificuldades que entram na casa do eleitor muito antes da propaganda eleitoral. Para virar uma eleição, na leitura apresentada por Cortez, Lula precisava primeiro transformar a eleição novamente em assunto da vida das pessoas.
O que naquela data era uma aposta política se traduziu nas urnas. Dezesseis dias depois, Lula chegou a 64.256.232 votos (51,79%) e venceu Flávio, que terminou com 59.826.041 (48,21%). O petista registrou um crescimento de 10.379.615 voto.
A mobilização apontada por Cortez também apareceu no comparecimento: a abstenção, que havia sido de 21,08% no primeiro turno, caiu para aproximadamente 19,2% no segundo, quando 128,2 milhões de eleitores foram às urnas.
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