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Política
Congresso em Foco
27/10/2026 | Atualizado às 18:10
Dois dias depois de ser derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se tornou protagonista de uma crise judicial e política que atravessou as fronteiras brasileiras.
O senador recebeu ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes e não deixar o país. Após o episódio, afirmou publicamente que não pretendia fugir, mas deixou de apresentar os documentos à Polícia Federal e desapareceu do radar de aliados e advogados.
Horas depois, pessoas próximas ao senador e aliados do governo dos Estados Unidos confirmaram que ele havia deixado o Brasil com destino ao território americano. A forma como conseguiu sair do país, porém, continua cercada de perguntas.
Passaportes
Flávio é investigado em um inquérito sigiloso no STF que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Apontado como sócio de Flávio, ele também está envolvido em uma batalha jurídica contra o jogador Richarlison por uma ilha.
Na segunda-feira (26), Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibiu de deixar o território nacional. A ordem judicial desencadeou uma sequência de acontecimentos que, em menos de 24 horas, transformou o paradeiro do senador em uma das principais questões políticas do país.
Argentina
Ainda durante a manhã desta terça-feira (27), começaram a circular informações de que Flávio teria atravessado a fronteira brasileira em direção à Argentina.
A suspeita surgiu após reportagem do portal argentino Infobae, segundo a qual o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina para embarcar em um jato particular rumo aos Estados Unidos.
Conforme descreveu a imprensa estrangeira, Flávio poderia ter utilizado um documento de identidade para chegar a Puerto Iguazú, cidade localizada na fronteira com Foz do Iguaçu.
No entanto, a Direção Nacional de Migrações informou que não encontrou registro da entrada de Flávio Bolsonaro no território argentino. A partir desse ponto, aliados do senador teriam confirmado que a travessia da fronteira ocorreu a pé.
Com o fim do prazo para entrega dos passaportes, às 11h, a Polícia Federal cancelou o documento. Ocorre que, em países integrantes do Mercosul, inclusive a Argentina, a entrada de brasileiros não está condicionada à apresentação de passaporte.
O senador não poderia viajar diretamente aos Estados Unidos sem o documento, mas aí é que entra o "pulo do gato". Desde 2023, Flávio possui cidadania italiana e direito a passaporte do país europeu, que não pode ser cancelado por autoridades brasileiras.
Estados Unidos
Ao longo da tarde, as informações começaram a convergir para um destino: Estados Unidos. Pessoas próximas à família Bolsonaro passaram a confirmar que Flávio havia efetivamente deixado o território brasileiro.
A história ganhou um novo componente quando Simón Levy, ex-subsecretário de Turismo do México e aliado de Donald Trump, afirmou publicamente que Flávio havia chegado "em segurança" aos Estados Unidos.
Levy foi além. Segundo ele, o responsável pela operação teria sido Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos.
"Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio."
Na mesma publicação, Levy afirmou que Flávio pretende permanecer nos Estados Unidos e comandar de lá a oposição ao novo governo Lula. Vale lembrar que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, vive nos EUA desde março de 2025.
O ex-deputado atua em interlocução com integrantes e aliados do governo Donald Trump, o que pode ter preparado o terreno para a suposta fuga de Flávio.
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