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Editorial
Congresso em Foco
28/10/2026 7:56
Há uma regra elementar na vida, aprendida ainda na infância: é preciso saber ganhar e, sobretudo, saber perder. Na política, não é diferente.
A democracia não é um regime feito apenas para vencedores. Sua grandeza está também em assegurar aos derrotados o direito de continuar defendendo suas ideias. Perder uma eleição não diminui a biografia de ninguém. Muitas vezes, é na derrota que se revela a estatura de um líder.
Por isso, a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, dois dias depois de perder a eleição presidencial, é um episódio tão grave quanto decepcionante. O senador, sufragado por quase 60 milhões de almas, tinha diante de si uma extraordinária responsabilidade política. Poderia organizar a oposição, representar seus eleitores e demonstrar que a democracia também se constrói fora do poder. Preferiu partir. Preferiu fugir.
E aqui está um aspecto político especialmente preocupante (quanto ao jurídico, ele que se acerte com a Justiça). Mas o fato é que milhões de brasileiros não votaram apenas em Flávio Bolsonaro. Elegeram deputados, senadores e governadores identificados com seu projeto político. São representantes legítimos, com mandatos a exercer e compromissos a honrar.
Que mensagem lhes transmite a partida daquele que pretendia liderá-los? Esses correligionários não podem ficar politicamente órfãos, tampouco devem ter sua atuação condicionada às decisões de alguém que escolheu permanecer fora do país. Seus mandatos não desapareceram com a derrota presidencial. Nem suas responsabilidades.
Há, portanto, algo profundamente constrangedor nessa situação. Não apenas para o fujão, mas para seus aliados, agora confrontados com a necessidade de explicar a atitude mesquinha daquele que pretendia governar o Brasil.
Aos eleitores e representantes desse campo político, cabe preservar a legitimidade de suas escolhas e a autonomia de sua atuação.
Eventuais revelações judiciais dizem respeito a quem praticou os fatos, não a todos os que dividiram um palanque.
E convém lembrar que nenhum projeto político deve ter seu destino atrelado à sorte de um único comandante.
O Titanic também parecia uma embarcação invencível, até que um iceberg lhe apresentou a realidade.
Na democracia, perder faz parte. Afundar junto não é obrigação.
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