Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Flip & FHC

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

Flip & FHC

Congresso em Foco

Autoria e responsabilidade de Márcia Denser

6/8/2010 | Atualizado 12/7/2013 às 18:48

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA
Os organizadores da Flip foram extremamente coerentes ao escolher FHC para abrir a versão 2010 da Festa Literária Internacional de Paraty, até porque tal escolha é a cara desse, digamos, evento, reunido em torno duma espécie de gueto ( literalmente) elitista, alienado. Globalizado? Não propriamente globalizado, mas apátrida, já que o dinheiro não tem mãe, muito menos língua mãe, tampouco pátria mãe. A Flip não festeja absolutamente a Literatura nem os escritores e muito menos o autor brasileiro, mas exclusivamente o mercado editorial, a literatura mercantilizada. E apátrida. Ou seja, a barbárie. Ou, na famosa equação de Cortázar: Literatura = Informação de Luxo. Enfeite. Perfumaria. Ornamento crítico = FHC!!! C.Q.D. Deu no UOL: Meia hora antes da inauguração da Festa Literária de Paraty, um pequeno grupo de moradores da cidade chamou a atenção diante do Kibu, digo,Tenda dos Autores, onde se realizam os principais debates. Eles portavam cartazes e camisetas com frases de protesto à presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Viva Saramago. FHC não!”, gritava a organizadora do protesto. “O que você acha de FHC abrir uma festa literária em pleno ano eleitoral? Ele podia vir em qualquer ano, menos neste. Ele é porta-voz de um partido político. A simples presença dele já é uma opção política da Flip”. Pois é. Em 2010, a organização da Flip abre o jogo e confessa logo de que lado está. Mas a Flip se esquece da própria Flip (esquecendo sobretudo, que cultura é um processo cumulativo/ mas quem falou em cultura?/claro,claro). Quando lá estive, em 2005, eu vi: Arnaldo Jabor não pode concluir sua palestra devido ao fato de elogiar em público este mesmo FHC. A vaia do público – os intelectuais e convidados presentes sob o Kibu, digo, Tenda – foi tão estrondosa que o sujeito teve simplesmente que se mandar e pano rápido. Aliás, este enclave que privilegia poucos, raros e extremamente discutíveis (senão irrelevantes) elementos ligados ao livro (vamos excluir de uma vez por todas a palavrinha Literatura, sim? vamos deixá-la fora DISTO, ok?), notadamente judeus, deveria armar seu luxuoso pavi,digo, kibutz à beira do Mar Morto, quiçá Tel-Aviv. Senão vejamos: entre os convidados, resplandecem nomes como Abraham B Yohoshua, Benjamin Moses, Arnaldo Bloch, Moacyr Scliar (querido amigo), um brasileiro chamado mui apropriadamente Eucanaã Ferraz (?), o editor Luiz Schwarcz, o livreiro Pedro Hertz. Contudo, estou sendo injusta até porque o elemento anglo-saxão e multiculturalista (outra palavrinha encantadora!) não só prolifera como abunda: Crumb, Lionel Shriver, Terry Eagleton, John Makinson, o CEO da Penguin Books (não é uma gracinha?), William Kennedy, a dupla William Boyd e Pauline Melville, escritores “pós-coloniais” (cruzes!).Acrescente-se alguns globais, poetas e celebridades arroz-de-festa tipo Silio Boccanera, o indiano Salmon Rushdie, Ferreira Gullar, amos, atos, obros. Ah, sim, e criaturas diversas desfiando pautas tipo “o futuro do livro”, “a ditadura cubana” , “a cidade criativa”. Me poupem.Eventos como esse des-historizam, des-politizam, são uma merda. Então, a respeito de “povos sem história” vou citar Otto Bauer (citado por Hannah Arendt): “A consciência histórica tem papel importante na formação da consciência nacional. A emancipação das nações do domínio colonial nasce da emancipação da literatura nacional da língua internacional erudita, do colonizador. A função política desta ascensão do idioma consiste em provar que só o povo que possui uma literatura e uma história próprias tem o direito à soberania nacional.” Literatura e História, Yes, nós temos, resta a Geografia. Ou seja, a Flip estaria melhor instalada, em seu elemento mesmo, se armasse seu adorável kibutz à beira do Mar Morto. Quiçá Tel-Aviv. Quanto à FHC, sugere-se que, na próxima, vá ornamentar criticamente o gueto de Varsóvia.   Mais sobre literatura
Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Márcia Denser FHC literatura Paraty Flip

LEIA MAIS

Um novo animalzinho no zoológico

Os escritores de Nova York

Dia do escritor

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES