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Congresso em Foco
Autoria e responsabilidade de Paulo Kramer
22/6/2005 18:30
Paulo Kramer * |
O norte-americano William Isaac Thomas (1863-1947), um dos fundadores da Escola Sociológica de Chicago, é autor de um teorema que revela que, em política, a percepção se converte em realidade. Em outras palavras, quando os atores definem uma situação como real, ela o será nas suas conseqüências. Um dos exemplos mais lembrados para se entender o “teorema de Thomas” é o da propagação do boato de que determinado banco está à beira da falência. Ainda que sem um pingo de verdade, a notícia se espalha, os clientes atemorizados encerram suas contas, os investidores desaparecem, e a profecia se cumpre. Numa sociedade heterogênea, é impossível se extrair um sentido único do processo eleitoral. Definido o destino dos votos, o desafio imediato de um partido político é fazer com que o maior número possível de pessoas acredite na tese de que ele foi o grande vencedor. Nessa disputa particular, a mídia assume um papel ainda mais relevante, por causa de sua capacidade de definir a agenda do debate público. Afinal, a imprensa consegue introduzir aquilo que ela mesma considera como prioridade no rol das preocupações do cidadão comum. Não por acaso, as assessorias dos partidos abasteceram os jornais, após o primeiro turno das eleições municipais, com farta avaliação sobre o resultado das urnas, cada qual, evidentemente, puxando a brasa para a sua sardinha. É a velha máxima popularizada por um ilustre ex-ministro do governo Itamar Franco: “Aquilo que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Mas é forçoso ressaltar que, no esforço de transformar a sua interpretação em verdade, os partidos têm a seu favor a heterogeneidade do recado que emerge das urnas. As manifestações do eleitorado não podem ser analisadas única e exclusivamente sob o calor (ou a frieza) dos números. No Rio, consolidou-se como principal força política de oposição ao casal Garotinho, liderando uma cruzada que inclui o próprio PT, graças à reeleição, já no primeiro turno, de César Maia. O PT, por sua vez, comemora os 16,31 milhões de votos depositados pelo eleitor em todo o país. Foi o único dos grandes a ampliar o número de prefeituras – passou de 174 para 398 – e assiste a um processo de “despaulistização” da legenda, com vitórias expressivas, em primeiro turno, em capitais como Recife, Belo Horizonte e Aracaju. A força das lideranças paulistas no partido é um dos principais fatores de desagregação no governo. O Palácio dos Bandeirantes, sede da administração paulista, é espaço cobiçado por petistas proeminentes, como José Dirceu, Antonio Palocci, João Paulo Cunha e Aloizio Mercadante. Apesar disso, o PT elegeu apenas um em cada cinco candidatos a prefeito e não conseguiu figurar entre os cinco partidos com o maior número de administrações municipais. |
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