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Congresso em Foco
23/6/2005 10:53
Marcos Magalhães |
Caso já estivesse em vigor a Lei de Acesso aos Recursos Genéticos proposta pela ministra, que é senadora licenciada, os responsáveis pela obtenção, pela comercialização ou pela remessa ao exterior desses recursos, sem autorização legal, poderiam ser punidos com penas de reclusão de um a quatro anos, além de multa. Além disso, a proposta estabelece o princípio de “participação nacional nos benefícios econômicos e sociais decorrentes das atividades de acesso”, abrindo um largo caminho para que o país venha a lucrar com os mercados em expansão de produtos cosméticos e farmacêuticos. As largas perspectivas não parecem ter sido detectadas pelas lideranças partidárias da Câmara dos Deputados. Uma comissão especial para analisar a proposta foi criada em 30 de junho de 2003, mas até hoje não foi instalada. E somente depois de sua instalação é que se poderá indicar um relator para analisar as sugestões que venham a ser feitas pelos deputados para o aperfeiçoamento do texto já aprovado pelo Senado. Enquanto isto não ocorre, o Brasil – que detém pelo menos 20% da biodiversidade do planeta – prossegue sem uma legislação definitiva sobre o tema. O projeto da Lei de Acesso aos Recursos Genéticos é um exemplo do tipo de proposta que poderia ser analisada, como já acontece em outros países, a partir de um ponto de vista suprapartidário. Sem esquecer todas as oportunidades de debates, mudanças e aperfeiçoamentos, naturalmente, mas de olho também no que poderia ser definido – apesar de todas as ambigüidades da expressão – de interesse nacional. Porque não deverá ser do interesse do PT ou da oposição evitar que se regulamente o acesso às riquezas do país ou a punição à biopirataria. No momento em que estão na agenda temas que movimentam as paixões de deputados e senadores, como a definição do valor do salário mínimo e as sérias denúncias de corrupção no Ministério da Saúde, o pedido feito pela ministra do Meio Ambiente para que se aprove rapidamente o projeto de sua autoria pode soar como um apelo extraterrestre. Mas nem tanto assim. O Congresso vai continuar sempre debatendo temas que movimentem o ambiente político e garantam munição para o bom debate entre situação e oposição. Paralelamente a esses temas, porém, a agenda legislativa poderia reservar algum grau de prioridade para a discussão de projetos que não estejam diretamente ligados à disputa política. A seleção desses projetos, naturalmente, depende também de entendimentos políticos entre os diversos partidos que têm representação na Câmara e no Senado. O governo, por exemplo, vem indicando que gostaria de ver aprovados rapidamente projetos como o da Lei de Biossegurança e o da nova Lei de Falências. A oposição poderia igualmente fazer as suas apostas. No mínimo se poderia avançar na definição de uma nova agenda, mais ampla e voltada para o futuro. |
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