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Os garotos e garotas alegres estão bravos

Congresso em Foco

Autoria e responsabilidade de Cláudio Versiani

27/7/2005 17:24

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Cláudio Versiani, de Nova York*


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São 36 anos de militância e luta. A história começou em Nova York, no bairro Greenwich Village. A região ainda é conhecida como um reduto gay, mas já não é o mais importante. Hoje os gays estão por toda parte e circulam com desenvoltura pelas ruas de Manhattan. Em 1969 não era assim, a discriminação era muito forte, literalmente violenta.

A polícia perseguia os gays e gostava de promover blitz nos bares do bairro. Quem vê os policiais gays abrindo a 36ª Parada do Orgulho Gay na 5ª Avenida não consegue nem sequer imaginar o quanto a situação dos homossexuais mudou nesse período. Naquela época os policiais nova-iorquinos ainda não tinham saído do armário, expressão americana que também significa assumir-se.

A desculpa oficial e esfarrapada para as batidas policiais era de que nem todos os estabelecimentos teriam licença para vender bebidas alcoólicas. Os freqüentadores gays eram maltratados, empurrados, tomavam uns safanões e, não raro, algemados e presos. E ainda tinham os nomes publicados nos jornais, acusados de indecência como andar de mãos dadas ou usar roupas do outro sexo. Puro ranço ou recalque.

No dia 27 de junho de 1969 os clientes do bar Stonewall Inn foram brindados com mais uma batida policial. Foi o dia da diferença, os gays resistiram e revidaram. O tempo fechou e o pau quebrou. A notícia correu e logo uma pequena multidão se formou: reforço policial e reforço gay. Muita gente saiu machucada, inclusive alguns policiais. Óbvio que um punhado de gays e não gays que se juntaram para protestar na porta do bar foi preso. Três dias de protestos se seguiram. Nasceu assim o movimento “Gay Power” em NY, época em que a guerra do Vietnam estava nas manchetes dos jornais e uma grande parcela da sociedade americana, principalmente os jovens, dizia não ao “American Way of Life”. Direitos civis, liberdade sexual, guerras, imperialismo, comunismo, Cuba e Fidel Castro, Maio de 68 em Paris, o mundo estava em ebulição. Não poderia ser diferente em Nova York.

Hoje, com a globalização, tem movimento gay até na China comunista, regime que sempre tratou a opção sexual como doença. Mas o começo do movimento foi doloroso, literalmente falando.

A história do país é constantemente reescrita. Pesquisas e mais pesquisas são feitas para contar a história dos americanos. Aliás, pesquisa é uma paixão dos acadêmicos. Não é raro se dizer que um ou outro famoso era gay. Abraham Lincoln é o caso mais recente. Um novo livro afirma que o 16º presidente dos EUA era homossexual e que gostava de dividir sua cama com outros homens, como o capitão de sua guarda pessoal em Washington.

O atual presidente, George Bush, e sua turma conservadora têm atacado o movimento gay na sua maior reivindicação, o direito da união civil para pessoas do mesmo sexo. A 36ª Parada Gay, realizada no mês passado, por isso mesmo, esteve mais para protesto do que para celebração. Os rapazes e moças alegres estiveram mais sóbrios do que em outros anos.

NY é a capital e a vanguarda do mundo, onde os gays namoram nas ruas, bancos e praças. Andam de mãos dadas, trocam carícias e se beijam em público como qualquer casal. Faz tempo que eles saíram do armário e não chocam mais ninguém na cidade. É um comportamento normal. Porém, o casamento gay vem sofrendo derrotas nas cortes do país. E se, no Canadá e na Espanha – para citar os dois últimos países que aprovaram a união gay –, os homossexuais estão felizes, o mesmo não se pode dizer dos de Nova York. Eles estão bravos.

A cidade que iniciou o movimento gay no mundo passa por um momento difícil, os conservadores contra-atacaram e agora estão de novo no comando. Ou como disse um militante na parada: “Hoje é festa e o dia do orgulho. Amanhã tudo volta ao normal e a discriminação é a mesma de sempre. Temos que continuar lutando”. “Still fighting”, em bom inglês, como diz o cartaz do senhor da foto.

Veja mais fotos da 36ª Parada do Orgulho Gay
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Clique nas fotos para ampliar
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