A CPI dos Correios pretende entrar com um pedido de quebra do sigilo bancário das contas do publicitário Duda Mendonça na Justiça americana, informa o jornal O Globo. A ação deve ser feita na Flórida, estado onde fica a agência do Bank Boston no qual a Dusseldorf, empresa off shore do publicitário nas Ilhas Bahamas, tem conta. A empresa foi usada por Duda para receber cerca de R$ 10 milhões do esquema organizado pelo empresário Marcos Valério, responsável pelos pagamentos feitos aos políticos aliados do governo e do PT. O dinheiro era referente à campanha eleitoral de 2002.
Segundo O Globo, os integrantes da CPI estudam se o pedido será feito em relação apenas à Dusseldorf ou a todas as contas do publicitário. Semana passada, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e o relator adjunto Eduardo Paes (PSDB-RJ), conversaram com advogados americanos sobre o assunto.
Segundo reportagem da revista Veja, Duda tem pelo menos cinco contas no exterior, em seu nome ou no de pessoas ligadas a ele, que receberam aproximadamente US$ 15 milhões desde 1993. O dinheiro teria vindo de campanhas políticas no Brasil e em outros países da América Latina.
Embora o Ministério Público e a Polícia Federal já tenham recebido informações sobre as contas do publicitário nos Estados Unidos, por intermédio do governo brasileiro, a CPI ainda não conseguiu ter acesso aos dados.
Parlamentares da CPI dos Correios decidiram reforçar as investigações sobre os contratos de Duda Mendonça com o governo e sobre suas contas no Brasil e no exterior. Na semana passada, a comissão descobriu que o publicitário fez transferências bancárias de R$ 4 milhões para seu genro e outras duas empresas, poucos dias antes de prestar depoimento à CPI.